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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Rede Sustentabilidade: novo partido da missionária Marina Silva

Rede Sustentabilidade: novo partido da missionária Marina Silva não é bem visto por evangélicos


Rede Sustentabilidade: novo partido da missionária Marina Silva não é bem visto por evangélicosO movimento pela fundação do partido Rede Sustentabilidade não vem agradando setores do meio evangélico, devido às posições de sua principal figura política, Marina Silva, a respeito de temas como o aborto e o casamento gay.
Marina Silva, de origem esquerdista (já foi membro do PT e eleita senadora pelo partido) é contra o aborto, uma postura incomum em  políticos de esquerda, e não tem demonstrado uma posição definida a respeito do casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma vez que durante as eleições presidenciais de 2010, se mostrou contrária ao casamento, mas favorável à união civil.
Acusada de conservadorismo por Jean Wyllys, Marina Silva foi defendida pelo movimento que pretende estabelecer a Rede como partido. Numa nota oficial, o movimento afirmou que “em nenhum momento Marina defendeu a realização de plebiscito sobre o casamento homoafetivo”.
Sobre o assunto, o ativista e blogueiro Julio Severo publicou artigo criticando a postura de Marina Silva perante o tema. Para Severo, a posição de Marina deveria ser frontalmente contrária ao casamento gay: “’Homoafetivo’ uma ova! Esse tipo de relação é simplesmente homoerótica. Homoafetividade é a relação normal de amizade e afeto entre um pai e seu filho e um homem e seu amigo”, escreveu.
O blogueiro ainda diz que as posturas de Marina Silva a respeito da luta contra o aborto não são convincentes: “Apesar da posição confundindo ‘homoafetividade’ com homoerotismo, a ex-militante do PV, que luta para consolidar o Rede Sustentabilidade e se lançar candidata presidencial em 2014, aposta numa imagem ‘pró-vida’, torcendo para que o público se esqueça de que em 2010 ela foi criticada pelo movimento pró-vida por ter condenado a onda conservadora contrária ao aborto e ao homossexualismo que se levantou na eleição presidencial daquele ano”.
Julio Severo diz em seu texto que Marina Silva precisa “conhecer o verdadeiro Evangelho, ou apodrecer no falso evangelho”.
O articulista Klauber Cristofen, que escreve para o site Mídia sem Máscara, afirma que é incompatível que um partido de esquerda seja contrário ao aborto.
O texto porém, contextualiza as propostas do Rede Sustentabilidade a partir do passado político de Marina Silva e Heloísa Helena, ex-senadora e aliada na fundação do novo partido, desconsiderando as bases que foram reveladas à mídia no lançamento da Rede, que identifica o futuro partido como um movimento de centro.
“O aborto é uma política absolutamente necessária aos partidos de esquerda. Estes não podem abrir mão deste múltiplo instrumento de controle populacional, de empregos, de seleção racial, de criminalidade e de eventuais dissidências. O socialismo é o regime que se caracteriza por controlar variáveis na saída dos processos, e não nas causas. Ilustrativamente, é o regime onde havendo dez cabeças e nove chapéus, opta preferencialmente por decepar uma cabeça. Ou duas ou três”, escreveu Cristofen.
O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), um dos principais ativistas gays do país publicou em seu site um artigo em que critica a postura de Marina Silva a respeito do casamento gay.
“Gosto pessoalmente de Marina Silva. Respeito e admiro muito sua trajetória política e acho que ela é um quadro importante para o atual cenário político polarizado entre PT e PSDB. Ainda faço votos que ela consiga as assinaturas necessárias para registrar seu partido. Espero que fique claro que minhas divergências com Marina são políticas, podem ser pontuadas, e que concordamos em várias outras questões [...] Ela me disse que apoiava a realização de um plebiscito para que a população decidisse — uma idéia com a qual eu discordo absolutamente. No entanto, após o lançamento do partido ‘Rede’, essas lideranças negam que Marina tenha defendido a realização de um plebiscito sobre o casamento civil igualitário e, valendo-se de um jogo de palavras (misturando o casamento com a ‘união civil’, como se fosse a mesma coisa), não esclarecem se ela é a favor ou contra o direito de todos os brasileiros e brasileiras a se casar no cartório com a pessoa que amam”, enfatizou o deputado Wyllys.
Confira a íntegra do artigo “Marina Silva amarela em questão de ‘casamento’ gay cobrada por Jean Wyllys”, de Julio Severo, neste link.
Confira a íntegra do artigo “Marina Silva e Heloísa Helena como esquerdistas “pró-vida”. Você vai acreditar?”, de Klauber Cristofen no site Mídia sem Máscara, neste link.
Confira a íntegra do artigo “Um convite à Marina”, do deputado federal Jean Wyllys, neste link.
Por Tiago Chagas, para o Gospel+

Debate sobre participação de evangélicos na política...


Debate sobre participação de evangélicos na política questiona se a Bíblia é suficiente para orientar ações e sugere princípios de ética e cidadania

Debate sobre participação de evangélicos na política questiona se a Bíblia é suficiente para orientar ações e sugere princípios de ética e cidadania
 A necessidade do envolvimento do cristão com a política para que os princípios do cristianismo norteiem condutas e propostas sociais foi tema de um debate acadêmico no American Enterprise Institute.
O debate foi intitulado “Is the Good Book good enough? Evangelical perspectives on public policy”, que numa tradução livre, pode ser interpretado como “O bom livro é suficiente? Perspectivas evangélicas nas políticas públicas”.
A referência à suficiência da Bíblia para nortear o posicionamento evangélico nas políticas públicas do mundo contemporâneo foi feita com a proposta de trazer à luz exemplos que podem ser aprendidos também com princípios modernos de ética e cidadania.
Segundo os participantes, as tradições evangélicas poderiam também oferecer contribuições únicas para a sociedade na busca pela definição da melhor forma de solucionar casos como a imigração, pobreza, justiça criminal, economia, direitos humanos e até energia nuclear, informou o Christian Post.
Para Michael Cromartie, vice-presidente da Ética e do Centro de Políticas Públicas, o envolvimento dos evangélicos na política deveria ser diferente da forma como se fez até agora, deixando de lado a inflexibilidade religiosa e se baseando em princípios de civilidade, prudência e da graça comum de Deus para com os homens, para a partir daí, oferecer à sociedade propostas justas.
Já Timothy Dalrymple, diretor de conteúdo do portal Patheos.com, acrescentou que os evangélicos envolvidos com a política devem se nortear pelo princípio de “honestidade radical”, “caridade radical” e “independência radical”, sendo sempre os mais honestos possível, lembrando sempre que isso não implica em fidelidade a um partido político, mas sim a propostas coerentes com os princípios cristãos.
Por Tiago Chagas, para o Gospel+

terça-feira, 31 de julho de 2012

Presença da evangélica Marina Silva na abertura das Olimpíadas de Londres causa desconforto em representantes do governo brasileiro

O convite do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a ex-ministra do meio ambiente, a evangélica Marina Silva, para a abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, causou desconforto entre os representantes do governo brasileiro presentes no evento.
Presença da evangélica Marina Silva na abertura das Olimpíadas de Londres causa desconforto em representantes do governo brasileiroSem o conhecimento do governo a ex-ministra, que é reconhecida internacionalmente por seu trabalho de defesa do meio ambiente, entrou na cerimônia carregando a bandeira com os anéis olímpicos juntamente com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o maestro argentino Daniel Barenboim e prêmios Nobel.
A presença de Marina teve mais visibilidade, inclusive, que a da presidente Dilma Rousseff, que foi mostrada pelas câmeras oficiais por menos de cinco segundos, enquanto a entrada de Marina foi amplamente comentada, como representante da luta ambiental no mundo
- Marina sempre teve boa relação com as casas reais da Europa e com a aristocracia europeia. Não podemos determinar quem as casas reais escolhem, fazer o quê? – criticou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, adversário político de Marina na polêmica do Código Florestal.
O presidente da Câmara, Marco Maia, de disse surpreso com a presença da adversária política da presidente Dilma, e afirmou que o COI deveria ter feito um melhor trabalho de comunicação com o governo brasileiro.
- É óbvio que seria mais adequado por parte do COI e da organização do evento que houvesse um diálogo de forma mais concreta com o governo brasileiro para a escolha das pessoas – afirmou Maia.
De acordo com o Estadão, um membro da delegação brasileira, que pediu para não ser identificado, chegou a afirmar que o convite do COI a Marina Silva foi o equivalente a convidar um membro da oposição britânica para um evento no Brasil que tenha o governo de Londres como convidado especial.
Redação Gospel+

quinta-feira, 3 de março de 2011

De que lado está o Estado?

Comecei a sublinhar os pontos importantes depois desisti, pois tudo o que este intelectual e erudito antropólogo abaixo escreve é importante.

Observem sua crítica ao Estado totalitário em plena segunda década do século XXI.
É um texto para se guardar e voltar a ele vez por outra.

De que lado está o Estado?
ROBERTO DaMATTA
O Estado de S.Paulo

Vale a pena ouvir a canção Which Side Are You On? (de que lado você está?). É simultaneamente música, palavra de ordem e ladainha que os mineiros de carvão do Kentucky recitavam, em 1931, quando se organizaram contra os proprietários, naquele capitalismo de tal ordem hegemônico que os trabalhadores sequer tinham o direito de organização.

A canção mostra as diferenças de um mesmo "modo de produção", mas ela assusta ainda mais pela insistência na tomada de posição, impedindo o acordo, o jeitinho e a interdependência hierárquica que constitui um elemento básico da construção do nosso mundo social. Pois no Brasil, a questão tem sido sempre a de escolher não escolher e assim não ser antipático ou "sectário" a ponto de tomar partido e ser consequente com a individualização disso decorrente.

***

Esse tomar partido abre uma reflexão sobre os laços entre Estado e sociedade. Afinal, o Estado veio para proteger, defender, ajudar e servir ou para atrapalhar? Sobretudo quando decide entrar com seu pesado legalismo ibero-nacional, cuja burocracia nasce intrincada a procedimentos que não visam a igualdade ou a destruição da dominação patrimonialista ou carismática, como queria Weber, mas que recria e garante privilégios e hierarquias, atiçando carismas. Produto da Contra-Reforma, esse gosto pela papelada, moldada nos séculos 16 e 17 com ajuda do Direito Romano no que veio a ser Portugal (e, depois, Brasil), inventa uma nova hierarquia. Nela, o Estado passa a ser o patrão da sociedade que, por força da lei, tem que obedecer às suas normas. Por isso, continuamos a fazer "revoluções" (como a de 1930) cujo protagonista é sempre o Estado - um "Estado Novo". A grande questão não é discutir o papel do Estado, mas de rediscutir o seu papel junto de quem o sustenta: a sociedade; ou seja, todos nós e não apenas os eleitos e seus altos funcionários sustentados pelo nosso trabalho.

***

Um cara sai de carro e imediatamente observa que as avenidas e ruas estão entupidas. Não se trata de engarrafamento, mas de um enfarte. Tem mais veículo do que espaço. Ato contínuo, nosso herói cai numa cratera que liquida a suspensão do seu automóvel. Mais um problema para esta semana que começa obrigando-o a pensar naquele curso de zen-budismo pela internet. Mais adiante, no confronto com um semáforo quebrado faz meses; local onde pode ser assaltado e faz com que todos tentem exercer seus velhos privilégios de família, tentando passar em primeiro lugar; ele recorda que parte do preço do seu carro foi um altíssimo imposto destinado ao aumento e à construção de vias urbanas e de rodovias. Ou seja, ele toma consciência de que o imposto enterrado no seu carro não voltou para ele na forma de uma melhoria. Muito pelo contrário, esse dinheiro tem ajudado a aparelhar o governo do momento que, sem nenhum pudor, contrata novos funcionários leais à sua ideologia, do mesmo modo que tem enriquecido e aristocratizado seus funcionários. O entupimento abre sua cabeça para esses pensamentos nada ortodoxos, já que sua educação passou pela escola, segundo a qual progresso é Estado. É obvio - ele pensa - que quanto mais eu pago ao Estado, mais ineficiente o Estado se torna. Nesse momento, chega à sua cabeça a imagem de um amigo que, partidário do governo, tem três polpudas aposentadorias e um emprego no qual não trabalha, mas despacha. O atributo mais importante deste Estado, conclui, não é servir ao cidadão, mas ser um mecanismo de aristocratização e de enriquecimento dos partidários do governo agora funcionários e administradores cujo objetivo explícito é gerenciar por gerenciar. Esse cara passa a semana nesse inferno.

No sábado, para esquecer, sai com a mulher. Seguem para um restaurante, comem e tomam umas e outras. Na volta, é parado pela blitz da Lei Seca. E nota, um tanto parvo, a eficiência prussiana do aparato estatal que o distingue com um impecável bafômetro e com agentes tão supereducados e hábeis quanto os da Gestapo, do FBI ou da KGB. Quase sorridentes, eles lhe tiram a carteira por ter tomado "dois chopes"! São tão distintos que ele não consegue sequer esboçar desculpas ou tentar o jeitinho. Fica alegre com isso e sabe que está na pátria brasileira.

***

De que lado você está?, pergunta aos administradores que mecanicamente gerenciam o "Estado". A resposta é simples: estamos do lado da cobrança e da perseguição. As ruas esburacadas, os assaltantes e a total indiferença para com o trânsito - ou seja, essa brutal ineficiência - contrasta veementemente com a eficiência da Lei Seca e dos impostos.

Agora ele sabe que onde está o Estado não pode estar o cidadão decente. Falta ao governo bom-senso e limites. Falta o sentido do lugar de um Estado moderno numa cidade moderna. Falta discutir o papel dessas imensas burocracias patrimonialistas, tocadas a ideologia salvacionista no Brasil. Daí essa gigantesca máquina boa para cobrar e negar, e péssima para concordar. Isso, pensa o nosso cara, só no carnaval!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"O Congresso é imprevisível e indisciplinado"

Valor Econômico

No artigo "Instituições políticas e governabilidade - desempenho do governo e apoio legislativo na democracia brasileira", os cientistas políticos Argelina Figueiredo e Fernando Limongi apresentaram estatísticas do apoio da coalizão do governo à agenda proposta pelo Executivo e taxa de sucesso dessas propostas (proporção do que é aprovado sobre o total enviado pelo Palácio do Planalto ao Congresso) de todos os presidentes da República, desde a redemocratização. A conclusão foi de que o Congresso é previsível e disciplinado.

"Em contraposição às visões folclóricas presentes vigentes, mostramos que parlamentares seguem as orientações de seus líderes. O governo governa com apoio parlamentar estruturado e disciplinado. Os partidos da coalizão apoiaram os projetos do governo", escreveram os autores.

Com dados colhidos entre outubro de 1988 e janeiro de 2007, também do banco de dados legislativos do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Argelina e Limongi comprovaram que a disciplina média da base aliada foi de 85% no período, ou seja, mais de oito em cada dez deputados dos partidos da coalizão governista votaram de acordo com o recomendado pelo líder do governo na Câmara. Por isso, para eles, "o processo decisório está longe de ser caótico ou de ser governado por interesses individuais".

Dados do Cebrap sobre a disciplina partidária também corroboram o estudo. Em todos os governos, desde a redemocratização, a média de disciplina das bancadas em relação ao líder do partido chegou a 87,9%, enquanto da base em relação ao líder de governo foi de 86,5%. O partido mais unido foi o PT durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com 96,7% de disciplina, nível que praticamente se repetiu no mandato seguinte, com 96,5%. Nos mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, o número ficou em 94,6% nos quatro primeiros anos e 95,4% nos quatro seguintes. O menos disciplinado foi o PTB no governo Sarney: 73,4%.

Os números mostram que o pessimismo no fim dos anos 1980 em relação ao "presidencialismo de coalizão" não se verificou na prática. Naquela época, o autor do termo, o cientista político Sérgio Abranches, escreveu que o país é o único a misturar um sistema eleitoral proporcional com multipartidarismo e um presidente carregado de poderes, combinação que, previu, resultaria em instabilidade e altos riscos políticos.

Na década seguinte, vários estudos seguiram essa linha e praticamente sepultaram as chances de sucesso da democracia brasileira, tendo em vista uma suposta incapacidade do Executivo de compor as maiorias necessárias para aprovar suas políticas públicas. Na fim dos anos 1990, porém, começaram a surgir análises empíricas sobre o comportamento dos parlamentares e novas conclusões passaram a permear os estudos de ciência política no Brasil.