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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O governo que adora ditaduras

Para: Dilson Goulart de Mendonça
O governo que adora ditaduras, acaba de perdoar mais outra gigantesca dívida, desta feita de US$ 43,5 bilhões do país africano Sudão (em guerra civil há 46 anos), como se tudo no Brasil estivesse correndo às mil maravilhas. O ralo não fica por aí, pois para acomodar os aspones nas legendas recentemente criadas (SDD - Solidariedade e PROS – Partido Republicano da Ordem Social), o gasto extra orçará em pelo menos R$ 6,5 milhões por ano, pois o Ato da Mesa, de 1995, garante a cada nova sigla dez nomeações sem concurso com salários que variam de R$ 10,4 mil a R$ 14,8 mil. Já existe mais de 30 legendas ativas e mesma quantidade em processo de coleta de assinaturas. Recentemente foi rejeitada pela Justiça Eleitoral (número insuficiente de adeptos) o “Rede Sustentabilidade” da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, hoje aliada do governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB).  Até quando esses traidores da pátria continuarão torrando descaradamente o tesouro público sem sofrerem qualquer punição?

Esses bandos de políticos, além de carcomer o erário como verdadeiros tsunamis, pertencem a um partido podre, fiel seguidor de atos pérfidos, vezeiro em causar desprezo até no exterior. Durante os jogos Pan-Americanos de 2007, por exemplo, dois pugilistas cubanos fugiram da sua delegação pedindo refúgio ao governo local. O então presidente Luiz Inácio os deportou para a ilha-cadeia, sendo lá presos, humilhados, tratados como desertores e traidores da pátria. Por muita sorte, os dois usando o México como rota de fuga, conseguiram chegar a Miami (Flórida), sendo acolhidos no país que desfruta de um sólido regime democrático e respeito aos direitos humanos. Outro escândalo de fazer vergonha foi este mesmo patrono de bandalheira agir como protetor do ítalo terrorista Cesare Batistti, perseguido pela justiça da terra natal por crime de morte. Apesar de o país europeu pedir sua extradição, o então mandatário brasileiro, perdendo o pouco que restava de compostura política, agiu como militante comunista, lhe concedendo cidadania brasileira.

Aprendendo as nojentas peripécias do seu criador, em 2011 Dilma Rousseff alterou o “Tratado de Itaipu”, triplicando a taxa anual que o Brasil paga ao Paraguai pela compra de sua energia excedente, pulando de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões, com grande prejuízo para todos nós. São comboios de fatos lamentáveis decepando os extorsivos impostos cobrados do povo, gerando a falta de verbas para aplicação em todos os itens da estrutura social. Enquanto a roubalheira se apresenta por conta dos poderes constituídos, vezeiros em artimanhas enganosas, muitos brasileiros, principalmente nordestinos, sofre com conflitos étnicos, extrema pobreza, seca e fome crônica, ou seja, come menos do que deveria para desenvolver seu organismo e levar uma vida saudável.

Caberia ao Poder Judiciário agir com rigor e por na cadeia os autores de tantos crimes hediondos. Mas o que se vê é o STF complacente com quadrilhas, protegidas pelos juízes pupilos de Lula e Dilma, a exemplo de Toffoli, Barroso, Lewandowski, Zavascki, Weber e recentemente Mello. Seria Imprescindível a implantação de uma norma implacável a corruptos, de tolerância zero contra os malfeitos. Deveria estarmos todos prontos para aprofundar, acelerar e batalhar com o objetivo de conseguir um nova ética política para o país, pois a atual está completamente corrompida, fazendo tanto mal ao povo e muito bem a quem o administra, muitos envolvidos em enriquecimentos ilícitos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Presidente obama faz discurso interessado em um "contrato de gaveta com o PRÈ-SAL Brasileiro".


O Presidente obama faz discurso intressado em um "contrato de gaveta com o PRÈ-SAL Brasileiro".





"Alô, Rio de Janeiro. Alô, Cidade Maravilhosa. Boa tarde todo o povo brasileiro. Desde o momento em que chegamos, o povo desta cidade tem mostrado para a minha família o calor e a receptividade de seu espírito. Quero agradecer a todos por estarem aqui, pois sei que há um jogo do Vasco ou do Botafogo. Eu sei que os brasileiros não abrem mão do futebol.

Uma das primeiras impressões que tive do Brasil veio de um filme que vi com minha mãe, “Orfeu Negro”. Minha mãe jamais imaginaria que minha primeira viagem ao Brasil seria como presidente dos EUA. Vocês são mesmo um “país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza”.

Ontem tive um encontro com a sua presidente, Dilma Rousseff. Hoje, quero falar com vocês sobre as jornadas dos EUA e do Brasil, que são duas terras com abundantes riquezas naturais. Ambos os países já foram colônias e receberam imigrantes de todo mundo. Os EUA foram a primeira nação a reconhecer a independência do Brasil. O primeiro líder brasileiro a visitar os EUA foi Dom Pedro II.

No Brasil, vocês lutaram contra a ditadura, pedindo para serem ouvidos. Mas esses dias passaram. Hoje, o Brasil é um país onde os cidadãos podem escolher seus líderes e onde um garoto pobre de Pernambuco pode chegar ao posto mais alto do país. Foi essa mudança que vimos na Cidade de Deus. Quero dar os parabéns ao prefeito e ao governador pelo seu excelente trabalho. Porém, não se deve olhar para a favela com pena, mas como uma fonte de artistas, presidentes e pessoas com soluções.

Vocês sabem que esta cidade não foi minha primeira escolha para os Jogos Olímpicos. Porém, se os jogos não pudessem ser realizados em Chicago, o Rio seria minha escolha. O Brasil sempre foi o “país do futuro”. Mas agora esse futuro está aqui.

Estou aqui para dizer que nós, nos EUA, não apenas observamos seus sucessos mas torcemos por ele. Juntos, duas das maiores economias do mundo podem trazer crescimentos. Precisamos de um compromisso com a inovação e com a tecnologia.

Assim, queremos ajudá-los a preparar o país para os jogos. Por isso somos países comprometidos com o meio ambiente. Por isso a metade dos carros daqui podem circular com biocombustível. E, portanto, estamos buscando o mesmo nos EUA, para tornar o mundo mais limpo para nossos filhos.

Sendo o Brasil e os EUA dois países que foram tão enriquecidos pela herança africana, temos que nos comprometer com a ajuda à África. Também estamos ajudando os japoneses hoje. Vocês, aqui no Brasil, receberam a maior imigração japonesa no mundo.

Os EUA e o Brasil são parceiros não apenas por laços de comércio e cultura, mas porque ambos acreditam no poder da democracia, porque nada pode ser tão poderoso. Milhões de pessoas , que subiram da pobreza para a classe média, o fizeram pela liberdade. Vocês são a prova de que a democracia é a maior parceira do progresso humano. A democracia dá a esperança de que todos serão tratados com respeito.

Nós sabemos, nos EUA, como é importante trabalhar juntos, mesmo quando não nos entendemos. Acreditamos que a democracia pode ser lenta, mas ela vai sendo aperfeiçoada com o tempo. Também sabemos que todo ser humano quer ser livre, quer ser ouvido, quer viver sem medo ou discriminação. Todos querem moldar seu próprio destino. São direitos universais e devemos apoiá-los em toda parte.

Onde quer que a luz da liberdade seja acesa, o mundo se torna um lugar melhor. Esse é o exemplo do Brasil, um país que prova que uma ditadura pode se tornar uma próspera democracia e que mostra que um grito por mudanças vindo das ruas pode mudar o mundo.

No passado, foi aqui fora, na Cinelândia, que políticos e artistas protestaram contra a ditadura. Uma das pessoas que protestaram foi presa e sabe o que é viver sem seus direitos mais básicos. Porém, ela também sabe o que é perseverar. Hoje ela é a sua presidente, Dilma Rousseff.

Sabemos que as pessoas antes de nós também enfrentaram desafios e isso une as nossas nações. Portanto, acreditamos que, com a força de vontade, podemos mudar nossos destinos. Obrigado. E que Deus abençoe nossas nações."

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sobre política econômica - Bolívar Lamounier

As tragédias no RJ e SP levam a uma reflexão: As ONG, amparadas por entidades estrangeiras, são muito eficientes em impedir, via judicial, a construção de hidrelétricas que trarão desenvolvimento e reduzirão a desigualdade, mas onde elas estão para cobrar ações contra impactos ambientais de construções de moradias em regiões que causam catástrofes por causar forte impacto ambiental? Dá-me a impressão de não serem entes sérios e sim com muitos interesses.

Qual será a política econômica de Dilma Rousseff, alguém sabe ?
Bolívar Lamounier

Escrever sobre um governo que começou há apenas 10 dias é como tentar entender um quebra-cabeças cuja montagem não está concluída. Os personagens reais – a presidente Dilma e seus ministros – já estão trabalhando, mas é provável que cada um esteja ainda um pouco incerto em relação ao comportamento dos demais, e que o conjunto também esteja algo incerto sobre o novo ambiente em que vão operar.

O problema é que nós que temos algo a ver com comunicação precisamos montar cá fora um outro quebra-cabeças, paralelo àquele que esbocei no parágrafo anterior. Neste momento, prevalece o velho ditado: o observador que estiver se sentindo inteiramente bem informado com certeza não está entendendo grande coisa.

Por essas e outras é que preferi começar auscultando as impressões iniciais de três craques : Ferreira Gullar, Dora Kramer e Marcelo Paiva Abreu.

Hoje, no Estadão, Ferreira Gullar pôs no papel o que milhões de brasileiros devem estar sentindo – aquela impressão de que a ficha só agora começou a cair: “Olho para [Dilma] e me pergunto: essa senhora é de fato a presidente do Brasil ou se trata de uma personagem de novela? Acredito até que ela, às vezes, se belisca para ver se é mesmo verdade. [Pois o fato] é que temos, diante de nós, agora, uma presidente da República que é uma surpresa até para si mesma. Eleita sem ter votos! É quase como um suplente de senador. O que não significa que fatalmente fará um mau governo, já que tudo é possível neste mundo surrealista latino-americano. Desejo-lhe boa sorte”.

O artigo de Dora Kramer a que vou me referir é o de anteontem. Com a precisão que lhe é peculiar, ela descreve a mudança de estilo que já se começa a sentir em Brasília.

Tomando como exemplo os passaportes especiais fornecidos a dois filhos e um neto do ex-presidente, ela observa: “…assim como vários outros episódios demonstraram ao longo de oito anos, é do estilo de Lula considerar irrelevante o preceito da impessoalidade consagrado na Constituição como exigência para o exercício das funções públicas”.

Dilma Rousseff parece-lhe ser o oposto: pontual, rigorosa nas cobranças e dona de um senso mais apurado que o de Lula para a distinção entre o público e o privado. Desprovida de talento ou inclinação para efeitos especiais, Dilma provavelmente percebe que seu governo deslanchará tanto melhor quanto menor a presença de Lula na mídia.

Economista de formação, Marcelo Abreu considerou animador o discurso de posse do novo presidente do Banco Central, mas pergunta se seus bons propósitos serão “…compatíveis com a possível, e até mesmo provável, continuidade da indisciplina fiscal”.

De que forma o problema do corte de gastos públicos será abordado – pergunta Marcelo – por uma equipe econômica que é essencialmente a mesma do mandato anterior e [que], no passado, sistematicamente optou por não optar, ou seja, que sempre preferiu aceitando aumentos ?

Acrescente-se que o embate entre os partidos situacionistas por postos no novo governo indicam um compromisso assaz duvidoso com qualquer corte relevante.

De fato, é difícil ver como Dilma Rousseff vai domar os apetites no Congresso se uma diretriz austera parece inexistir entre seus próprios ministros. As urgências maiores são a inflação e o câmbio, mas se lhe falta convicção para atacá-las pelo caminho fiscal, qual será então sua estratégia?

A observação que se impõe é, portanto, a de que o novo governo pode estar rodopiando muito mais que o necessário. Pois o que vem primeiro, afinal : a falta de uma agenda clara no Executivo ou o apetite do PT e do PMDB por cargos – desde sempre aguçado, como ninguém ignora?

Dor contratada

Uma das melhores formas de solidariedade com os que sofrem
e os que sofrerão em outras no futuro é acompanhar, de perto,
de muito perto aliás, a promulgação do Código Florestal.
É fazer algo que não estamos habituados e precisamos nos
habituar: Exercer a verdadeira cidadania além do simples
ato de votar.



Dor contratada
Míriam Leitão
O GLOBO

Os economistas mostram que o erro é investir pouco na prevenção e gastar muito para remediar. Os meteorologistas descrevem encontros de fenômenos naturais que os tornam mais potentes. Os climatologistas alertam que vai piorar. Os urbanistas apontam erros do passado. Um conservacionista viajou pelo Brasil e viu a insensatez. Assim se contrata a dor presente e futura.

Cada especialista no seu ângulo registra um pedaço do erro. Eles juntos produzem uma zona de convergência de tragédias futuras. O Brasil é bom na emergência: os poderes se juntam, os diagnósticos são precisos, as soluções são prometidas, o dinheiro aparece, a generosidade brota, a imprensa se concentra. Cessou o momento extremo e tudo volta ao leito do rio dos adiamentos.

Marcelo Seluchi, meteorologista do Inpe, explicou ontem a coincidência dos fenômenos que vitimaram a Região Serrana do Rio:

- A Zona da convergência do Atlântico Sul produz umidade concentrada. Isso piorou pela nebulosidade da Serra, mas houve também o que a gente chama de Sistema de Bloqueio, que deixou essa umidade sobre o Rio e São Paulo. São fenômenos naturais, mas as grandes catástrofes estão ficando mais frequentes.

Chuvas, tempestades, enchentes sempre existiram, tragédias já marcaram o passado em eventos históricos, mas o que está convergindo são os avisos de especialistas de diversas áreas de que é perigoso insistir no mesmo padrão de comportamento. A presidente Dilma ontem sobrevoou a tragédia e disse que a população pode esperar medidas fortes. Que sejam também permanentes.

Do Japão, o climatologista Carlos Nobre mostrou empolgação com o sistema de alertas e prevenção de enchentes e deslizamentos em encostas que será criado no Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) usando computadores e sabedoria do Inpe:

- Remover as pessoas de áreas de risco é mais difícil, mas é possível e factível um sistema de alertas efetivo. E esta será uma das minhas mais importantes tarefas no MCT.

Aumentou a volatilidade do clima, os fenômenos estão mais ativos, os extremos mais frequentes. Isso é evidente para qualquer leigo e uma constatação científica. Portanto, é mais do que repetição, é um movimento de piora constante. A cada nova tragédia, ela pode ser pior. Não tem volta, a humanidade já contratou uma parte da mudança climática. O que nos cabe agora é tentar mitigar seus efeitos, se adaptar aos seus rigores, evitar a continuação dos erros.

- O que tem sido observado globalmente é uma exacerbação dos ciclos naturais, isto é, extremos climáticos têm acontecido com mais frequência, há maior volatilidade do clima. No Brasil, faltam estudos de longo prazo do clima contemporâneo para sermos mais conclusivos, mas é bom nos prepararmos para este aumento de volatilidade. Vamos desenvolver e implementar tão rápido quanto possível formas de reduzir riscos de desastres através do sistema de alerta. No longo prazo, esse aumento da volatilidade vai mexer profundamente com os usos da terra, principalmente nas áreas de risco e cidades. Há um limite para obras de engenharia. É preciso fazer a paisagem rural e urbana voltar a responder de maneira mais natural aos fenômenos climáticos - disse Carlos Nobre.

É como declarou ontem a presidente Dilma após visitar os locais da tragédia na Região Serrana. Cabe às autoridades atender às emergências e prevenir com política habitacional, drenagem, saneamento:

- Porque se o terreno aqui é uma camada fina sobre rocha e há deslizamento quando chove, que deslize, mas que não morra gente.

O sinal da presidente é exato: em vez de culpar a natureza, precisamos nos preparar. Para lidar com fenômenos que ela descreveu como "montanhas que se dissolveram."

Foi o que viu também o conservacionista Miguel Milano. Ele acaba de voltar de uma viagem de 5 mil quilômetros, de carro, pelo interior do Brasil. Foi do Sul até a Bahia e passando por São Paulo, Minas, Rio, visitou o Vale do Paraíba e voltou pelo Espírito Santo, onde já pegou, na virada do ano, áreas alagadas:

- De propósito, fugi das grandes vias e viajei por dentro. Vi morro derretendo, vi todo o tipo de irregularidade. Não há áreas de preservação permanente, reserva legal, vegetação em declives. Vi encosta desmoronando por causa de erosão. Fiquei lembrando do que estudei de hidrologia florestal nos meus tempos de estudante, há décadas. Um desses estudos mostrava que a diferença entre o pico da cheia e o da seca nas áreas vegetadas é de sete vezes. Nas áreas degradadas, é de 20 vezes. A vegetação é proteção, atenua o impacto das chuvas, reduz o volume e o tempo do escorrimento, protege contra o vento e tem o efeito de transpiração, ou seja, as árvores bombeiam parte da água de volta para a atmosfera. Fui vendo isso e pensando na loucura do Brasil, que não só não respeita o Código Florestal como quer, a esta altura, mudá-lo.

No meio da mudança climática é estranho propor reduzir proteção das margens dos rios, dos picos dos morros, dos terrenos íngremes e diminuir as áreas de reserva legal. Mas é isso que o Congresso Nacional está votando na mudança do Código Florestal.

A presidente Dilma disse que agora é a hora de resgatar, amparar e cuidar das pessoas. Depois, reconstruir e prevenir.

É o triste momento de contar os mortos. Eles já passam dos 480. É também hora de ver que caminhamos no sentido contrário ao que manda a razão e a sensatez.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Amazônia seus povos e suas espécies -- assine a petição


Caros amigos,


O Presidente do IBAMA se demitiu ontem sob forte pressão parapermitir a construção do desastroso Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, que iria devastar uma área imensa da Amazônia e expulsar milhares de pessoas. Proteja a Amazônia seus povos e suas espécies -- assine a petiçãopara Presidente Dilma contra a barragem e pedindo eficiência energética:

Assine a petição!


O Presidente do IBAMA se demitiu ontem devido à pressão para autorizar a licença ambiental de um projeto que especialistas consideram um completo desastre ecológico: o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.

A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.

A mudança de Presidência do IBAMA poderá abrir caminho para a concessão da licença – ou, se nós nos manifestarmos urgentemente, poderá marcar uma virada nesta história. Vamos aproveitar a oportunidade para dar uma escolha para a Presidente Dilma no seu pouco tempo de Presidência: chegou a hora de colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar.Assine a petição de emergência para Dilma parar Belo Monte – ela será entregue em Brasília, quando conseguirmos 150.000 assinaturas:

https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl

Abelardo Bayama Azevedo, que renunciou à Presidência do IBAMA, não é a primeira renúncia causada pela pressão para construir Belo Monte. Seu antecessor, Roberto Messias, também renunciou pelo mesmo motivo ano passado, e a própria Marina Silva também renunciou ao Ministério do Meio Ambiente por desafiar Belo Monte.

A Eletronorte, empresa que mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que o IBAMA libere a licença ambiental para começar as obras mesmo com o projeto apresentando graves irregularidades. Porém, em uma democracia, os interesses financeiros não podem passar por cima das proteções ambientais legais – ao menos não sem comprarem uma briga.

A hidrelétrica iria inundar 100.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência. O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o governo precisou usar fundos de pensão e financiamento público para pagar a maior parte do investimento. Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.

Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil. Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética. Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020. Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras. Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.

A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar. Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:

https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl

Acreditamos em um Brasil do futuro, que trará progresso nas negociações climáticas e que irá unir países do norte e do sul, se tornando um mediador de bom senso e esperança na política global. Agora, esta esperança será depositada na Presidente Dilma. Vamos desafiá-la a rejeitar Belo Monte e buscar um caminho melhor. Nós a convidamos a honrar esta oportunidade, criando um futuro para todos nos, desde as tribos do Xingu às crianças dos centros urbanos, o qual todos nós podemos ter orgulho.

Com esperança

Ben, Graziela, Alice, Ricken, Rewan e toda a equipe da Avaaz

Fontes:

Belo Monte derruba presidente do Ibama:
http://colunas.epoca.globo.com/politico/2011/01/12/belo-monte-derruba-presidente-do-ibama/

Belo Monte será hidrelétrica menos produtiva e mais cara, dizem técnicos:
http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/04/belo-monte-sera-hidreletrica-menos-produtiva-e-mais-cara-dizem-tecnicos.html

Vídeo sobre impacto de Belo Monte:
http://www.youtube.com/watch?v=4k0X1bHjf3E

Uma discussão para nos iluminar:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101224/not_imp657702,0.php

Questão de tempo:
http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2011/01/13/questao-de-tempo-356318.asp

Dilma: desenvolvimento com preservação do meio ambiente é "missão sagrada":
http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20110101161250&assunto=27&onde=Politica

Em nota, 56 entidades chamam concessão de Belo Monte de 'sentença de morte do Xingu':
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/08/26/em-nota-56-entidades-chamam-concessao-de-belo-monte-de-sentenca-de-morte-do-xingu-917481377.asp

Marina Silva considera 'graves' as pressões sobre o Ibama:
http://www.estadao.com.br/noticias/economia,marina-silva-considera-graves-as-pressoes-sobre-o-ibama,475782,0.htm

Segurança energética, alternativas e visão do WWF-Brasil:
http://assets.wwfbr.panda.org/downloads/posicao_barragens_wwf_brasil.pdf


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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Afinal, quem foi vítima de fraude?

A COISA ESTÁ COMEÇANDO A FEDER



Afinal, quem foi vítima de fraude?

Lendo as reportagens da Veja desta semana, fica claríssimo o plano elaborado pelo governo (PT) para comprar o SBT, fugindo dos marcos legais e do dispêndio financeiro da transação.http://veja.abril.com.br/infograficos/fraude-banco-panamericano/

Fatos:
  • Há dois anos o City Bank, após auditoria, compraria o Panamericano mediante uma oferta concreta para o Silvio Santos.
  • Há um ano, antes de adquirir 49% do Panamericano, a CEF auditou por si e contratou uma auditoria independente sendo que ambas aprovaram os balanços do banco. Conhecendo as auditorias independentes, é quase impossível que a mesma tenha deixado passar estas operações fraudulentas (de certo modo grosseiras), principalmente, durante o período da crise financeira mundial. Auditores profissionais jamais colocariam em risco seus nomes encobrindo fraudes.
  • O BC também participou das auditorias ao autorizar a CEF à aquisição dos 49%.
  • No frigir dos ovos o dono do Panamericano é o SS. Quem conhece sua trajetória sabe que é impensável que ele haja se deixado roubar por seus diretores, quanto mais R$2.500.000.000,00 (dois bilhões e quinhentos milhões de reais).
  • SS sai a campo, “teatralizando”, sem a menor dor (ou pudor), que lhe roubaram alguns tostões.
  • Como o Panamericano é também da CEF, o governo usa o fato para intervir através do FGC.
  • O FGC, Fundo Garantidor de Credito, empresta estes tostões a SS que oferece seu patrimônio em garantia.
  • O Panamericano não é banco com correntistas depositantes, então, por que seria necessário o FGC se mover para salvá-lo? Porque a CEF está metida no rolo...
  • Depois de uma fraude destas, quem, em sã consciência, fará transações financeiras com este banco? A falência dele é questão de pouco tempo.
  • Em uma situação crítica como esta, jamais um empresário lançaria mão de todos os bens de seu patrimônio pessoal como garantia de um empréstimo, pelo contrário, ao planejar a fraude, uma das primeiras medidas seria separar as diversas empresas do grupo, tornando-as independentes, evitando assim que fossem arrastadas para o buraco; mantê-las juntas é de uma infantilidade empresarial absurda, não coerente com o perfil de um cidadão judeu-grego.
Próximos passos:

  • SS declara-se incapaz de saldar a dívida (não precisa ficar com pena não, pois, o 2,5 bi já estão no bolso dele, se não for mais).
  • FGC executa a garantia ficando com o SBT.
  • SBT passa para o controle da CEF, ou seja, o estado (entenda-se PT).
  • SBT faz propaganda do governo (PT), colaborando decisivamente para a perenização no poder.
  • SBT inicia, aceita e faz propaganda a favor do controle da censura a imprensa ...

Coincidências???
  • Por volta de 4 anos atrás, 2006 (início das irregularidades no banco), SS entrevistado por Amauri Jr. à entrada de um evento e perguntado se era verdade que estaria vendendo o SBT a um grupo americano "desmentiu a informação". Insistindo, Amauri Jr. perguntou se existiria um preço pelo qual o empresário se desfaria da, então, segunda rede nacional de TV. SS respondeu: "SIm, é só me pagar 2 bilhões de dólares". Estranho, pelo câmbio atual, parece que SS se contentou com cerca de US$ 1,500,000,000.00.
  • Segundo o portal 180º, SS esteve em Brasília para uma "visita" a Lula em 22 de setembro passado (???). Perguntado qual o motivo da "não anunciada" visita respondeu: "Segredo…". Confira emhttp://180graus.com/politica/direto-de-brasilia-silvio-santos-visita-lula-para-tratar-segredo-362505.html


Dúvidas Intrigantes
  • Resta saber se não há mais dinheiro "por fora" nessa estória. É voz corrente que o PT possui acervo financeiro no exterior na ordem dos 40 bilhões de dólares.
  • Será que o filho do Lula vai assumir a direção do Baú?
  • Por que será que o Canal Brasil (constante em todas as listas de canais de parabólicas) foi o primeiro canal a transmitir em HD?
  • Por que será que Hélio Costa (ex-ministro das Comunicações) canta aos 4 ventos que conseguiu a retransmissão de TV digital (HD) em telefones celulares sem o pagamento de qualquer tarifa?
  • Qual será o montante de emissão de títulos da Dívida Pública para "repor" a perda patrimonial da CEF? E a que Taxa de Juros?

Correm a passos largos as medidas para a proclamação da República Democrática Popular Brasileira!
  1. Reinstituição da CPMF, ou congênere, para o patrulhamento financeiro de cada cidadão.
  2. Fortalecimento da Propaganda Oficial por meio de canal próprio, pronto a aparelhar o ideário do brasileiro incauto (ou seria inculto?). Resta aguardar onde serão detectadas "fraudes" em periódicos da imprensa escrita, ou seja, jornal e revista de alcance nacional. As emissões de Rádio ficam por conta da Radiobras. A Internet controlada está a caminho. Tudo a serviço da nossa "Grande Mãe". A Pátria? Não, a DIlma!
Aguardemos os próximos capítulos, pois, a novela está apenas começando.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Guerra por segundo escalão envolve 600 cargos

Este assinte ocorre toda mudança de governo e a sociedade assiste passivamente.
Depois se reclama da qualidade da Saúde, da Educação, das Telecomunicações, Transportes, Saneamento, investimentos, etc etc etc.
Quando é que nossa sociedade amadurecerá de forma democrática?
_____
Guerra por segundo escalão envolve 600 cargos
O ESTADO DE S. PAULO

PT e PMDB estão no centro da disputa pelo controle de 102 estatais dos setores produtivo e financeiro.

A disputa entre os partidos aliados da presidente Dilma Rousseff para manter os postos que já têm no segundo escalão ou conseguir novos cargos visa o controle de 102 empresas estatais, sendo 84 no setor produtivo e 18 no financeiro,. Ao todo, estão em jogo cerca de 600 cargos. É provável que a maioria seja mantida, pela continuidade do governo. Trata-se de um butim bilionário capaz de levar os partidos a uma longa batalha política, apesar dos apelos de paz feitos por Dilma e da suspensão de novas nomeações para o segundo escalão até as eleições para a Mesa Diretora da Câmara e do Senado. A guerra compreende postos estratégicos em ministérios e órgãos como os Correios, que o PMDB perdeu para o PT. Na Saúde, a disputa pela Secretaria de Atenção à Saúde deu origem à guerra do segundo escalão. Embora os R$ 45 bilhões da secretaria não estejam liberados para investimentos, o partido que ocupa o posto tem grande visibilidade no País.



Guerra por segundo escalão envolve 600 cargos e R$ 107 bi de investimento

Novo governo. Poder das nomeações, causa central do confronto entre PMDB e PT, está relacionado à visibilidade política dos postos, mensurada pelo montante de recursos que cada área tem para investir no País; acordo na Integração exclui peemedebistas.

João Domingos / BRASÍLIA

A disputa entre os partidos aliados da presidente Dilma Rousseff para manter os postos que já têm no segundo escalão ou abocanhar novos cargos visa o controle de 102 empresas estatais, sendo 84 no setor produtivo e 18 no setor financeiro. Destas, 66 do setor produtivo e sete do setor financeiro dispõem de R$ 107,54 bilhões para investimentos só neste ano. Ao todo, estão em disputa cerca de 600 cargos. É provável que a maioria seja mantida, pela continuidade do governo.

Trata-se de um butim bilionário capaz de levar os partidos a uma batalha política pelos próximos meses, apesar dos apelos de paz feitos pela presidente da República e da suspensão de novas nomeações para o segundo escalão até que sejam feitas as eleições para as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado.

A guerra compreende também postos estratégicos em ministérios e órgãos, como os Correios, que o PMDB perdeu para o PT. Na Saúde, a disputa pela Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) deu origem à guerra do segundo escalão. Embora os R$ 45 bilhões dessa secretaria não estejam carimbados para investimentos - são repasses ao SUS -, o partido que ocupa o posto tem grande visibilidade no País, o que se traduz em votos.

O novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tomou o posto do PMDB e o passou para seu partido, o PT. Em seguida, avançou sobre a Fundação Nacional da Saúde (Funasa), que tem orçamento de R$ 5 bilhões e cerca de R$ 1 bilhão para saneamento nas pequenas cidades. Depois de ameaçar votar em favor de um salário mínimo maior, o PMDB conseguiu que Padilha não nomeasse um petista para a Funasa, deixando as negociações suspensas até o mês que vem.

Agora, os peemedebistas lutam para manter Ariovaldo Rosendo na direção do Fundo Nacional da Saúde (FNS). Trata-se de um apadrinhado do ex-ministro Hélio Costa (PMDB). Esse fundo dispõe de R$ 65,2 bilhões.

Feudo. Nesse ritmo, os golpes prometem ser baixos e as rasteiras frequentes. O PT e o PSB, por exemplo, fecharam um acordo que deixará o PMDB ainda mais irritado. Decidiram varrer o partido de todos os cargos que detém no Ministério da Integração, velho feudo peemedebista.

Elias Fernandes, atual diretor-geral do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), é homem de confiança do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN). Será demitido pelo novo ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho, do PSB.

Ocorreu o mesmo com o presidente da Codevasf, Orlando Castro, cujo padrinho é o ex-ministro Geddel Vieira Lima (BA). Pelo acordo entre PT e PSB do Nordeste, Castro também será afastado, dando lugar a um socialista, provavelmente Sérgio Novais, presidente do PSB de Fortaleza. Em troca, os petistas do Ceará, que desde 2003 mantêm o controle do Banco do Nordeste, devem permanecer no posto.

Poderosa. Dos R$ 107,54 bilhões que as estatais têm para investimentos, R$ 91,2 bilhões são do sistema Petrobrás. Trata-se de uma empresa que se tornou objeto de desejo, e da qual a presidente Dilma Rousseff não abre mão de controlar. Tanto é assim que, antes mesmo de fechar seu ministério, chamou o presidente José Sérgio Gabrielli para continuar à frente da empresa.

Diante da enormidade da estatal, aos outros partidos resta a luta para não perder os postos que detêm nas suas diretorias. Quem corre maior risco é - de novo - o PMDB. Desde que o deputado Fernando Diniz (MG) morreu, o diretor da Área Internacional da Petrobrás, Jorge Zelada, ficou sem padrinho. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) luta para preservá-lo. O restante da diretoria é rateada entre o PT e o PP.

O PMDB mantém o controle de duas empresas importantes do sistema Petrobrás. Na direção da Transpetro o partido mantém o ex-senador Sérgio Machado, na cota do presidente do Senado, José Sarney (AP), e do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). Machado já foi do PSDB e até liderou o partido no Senado. A Transpetro dispõe de R$ 2,47 bilhões para investimentos. Na presidência da BR Distribuidora está José Luiz de Andrade Neto, nomeado por influência do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Esta empresa conta com R$ 717 milhões para investir em 2011.

Substituta. Situação curiosa é a da ex-governadora do Pará Ana Júlia Carepa (PT). Madrinha da nomeação de Abidias Júnior para a presidência do Banco da Amazônia (Basa), a petista, derrotada nas urnas, agora quer o lugar do afilhado para manter um emprego público e ficar por dentro da rotina da articulação do governo federal. O Basa dispõe de R$ 120 milhões para investimentos neste ano.

Já o deputado Paulo Rocha (PT-PA), que perdeu a eleição para senador, responde ao processo do mensalão e ainda está enquadrado na Lei da Ficha Limpa, batalha para pegar a direção da Superintendência da Amazônia (Sudam), que tem R$ 39 milhões para gastar em 2011. Seria mais um golpe para o PMDB: o atual superintendente, Djalma Melo, foi indicado pelo senador Eduardo Braga (AM) e pelo ex-senador Luiz Octávio (PA), ambos peemedebistas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A luta com o papel

Roberto DaMatta
O Globo

Não há quem não tenha lutado com algum papel. Para muitos foi duro ser pai ou marido e foi mais complicado ainda ser democrata. Entre o papel e a pessoa há sempre um fosso e o seu preenchimento requer o entendimento do "axioma de Shakespeare". A observação segundo a qual o mundo é um palco e todos nós, homens e mulheres, somos meros atores. Todos temos nossas saídas e entradas e desempenhamos muitos papéis.

Papéis são fórmulas. Impossível rir num enterro ou ficar triste num baile de carnaval. Neste primeiro dia do ano, assisti à "posse" de Dilma Rousseff no cargo de presidente da República. A passagem da faixa presidencial foi, como tudo no Brasil, o final de um processo gradual, iniciado com a diplomação pelo TSE e, dias depois, com a assinatura do livro de posse do cargo no Congresso. Dilma é a primeira mulher presidente do Brasil, mas ela assume o cargo sem nenhuma turbulência, inventada e abençoada que foi pelo carisma bem propagado do presidente Lula, que sai deixando a nova administração sob o signo da continuidade.

Inevitável observar essas transições que têm tantas consequências para as nossas vidas porque, afinal de contas, há teatro no poder, mas o poder não é teatro. Nas democracias, separar pessoas e papéis é algo fundamental, senão o seu fundamento. Nelas, não cabem os movimentos "fora X, Y ou Z" quando alguém é eleito para ocupar o papel de "supremo mandatário da nação", como diz a nossa autoritária fórmula cultural. Você pode ser contra um partido ou uma pessoa, mas não pode torcer contra a presidência ou contra o seu país.

Há papéis universais, como o de cidadão, pedestre, comprador, viajante, eleitor etc... - e papéis especiais. Quanto mais importante, mais difícil e desejado é o papel. Há papéis que enriquecem, há os que marginalizam e os que notabilizam, como o de artista ou de escritor premiado. Há os superexclusivos, a serem ocupados por uma só pessoa que, por isso mesmo, encerram biografias, como os de Papa, rei e presidente da República. Sem esquecer o de dita(dor)! Sua exclusividade é uma medida óbvia do seu poder de construir&destruir, daí a sua onipotência, a ser, se há bom senso, necessariamente controlada. Nos países de índole hierárquica que amam privilégios e o Estado serve para aristocratizar os membros do poder, esse cargo é incensado e a onipotência do papel contamina o seu ocupante. Uma imprensa livre e desinibida é o remédio contra essa dose de divindade e por isso ela é tão odiada quando uma pessoa se apossa da presidência.

Papeis exclusivos fecham biografias e obrigam a um abandono do mundo, conforme viram Max Weber e Louis Dumont. Ler certas vidas como exemplos de renúncia do mundo, conforme sugeri faz tempo, ajuda a compreender tipos como Antonio Conselheiro, Pedro Malasartes, Lampião, Leonardo Filho, Jânio Quadros, Getúlio Vargas e outros. Figuras reais e imaginárias filiadas à corrente dos que, por alguma tragédia, convicção ou decepção, foram obrigados a sair do mundo em que viviam.

Dir-se-ia que o papel de presidente da República situa a pessoa no centro. Mas é justo no centro onde jazem a maior solidão e as mais tenebrosas tentações. Como sabem as "celebridades", alguns papéis devoram seus ocupantes. No topo, qualquer movimento leva à planície. Por isso, as sociedades arcaicas cercavam a realeza com cargos dados ao nascer e perdidos ao morrer. No caso das democracias modernas, temos uma situação curiosa. O papel de presidente é perpétuo e todo-poderoso; mas a pessoa é, pela teoria, um cidadão falível e mortal. Sabe-se que o Congresso americano discutiu se o primeiro presidente do país, George Washington, deveria ser tratado como "Vossa Majestade" ou "Senhor". Ficaram, coerentemente, com a segunda fórmula. O resultado desse dilema entre um papel que transforma e a pessoa que a ele sobrevive é a idealização e o endeusamento dos que, num mundo de cidadãos, são elevados por tais cargos.

A percepção do limite da pessoa no papel e do papel na pessoa é uma arte. Ser o nº 1 de um país, tendo - como no caso do Brasil - todos aqueles puxa-sacos, mordomos, assessores, asseclas, aliados, secretários e empregados; poder gastar e usufruir de tudo secreta ou abertamente; estar sujeito ao aval de sua própria ética porque entre nós a presidência foi moldada numa cultura monárquica jamais discutida ou erradicada, é algo que poucos podem realizar com bom senso e honestidade. Por isso Lula falou em "desencarnar" do papel. Pois nele permanecer seria patológico e inviável. Até onde ele vai realizar isso, aceitando o tenebroso "ex" (há algo mais patético do que um ex-marido?), veremos. E até onde Dilma Rousseff vai nele se adaptar, será visto nos próximos quatro anos. A ambos o cronista deseja sucesso, pois, como um encarnado antropólogo cultural que sabe de duas ou três coisas sobre a vida coletiva, ele compreende como deve ser duro sair e entrar de um papel que canibaliza, esgota e coage ao ponto da tortura. Um cargo que obriga a ser presciente quando todos em volta nada sabem; que determina cautela quando não se tem tempo para decidir e inovação quando os hábitos exigem as velhas fórmulas; que determina impessoalidade num universo marcado pela ética da condescendência; que manda acreditar quando não se acredita. Um papel, enfim, eventualmente assassino, que pode crucificar o seu ocupante. Tal como ocorria com os messias, os profetas ou os velhos feiticeiros e hereges que eram queimados vivos nas fogueiras.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ministra Iriny Lopes de Dilma defende aborto


Ministra petista diz: “Não dá para obrigar mulher a ter filho”.

(Por Julio Severo) – O governo de Dilma, a mulher que nunca renunciou ao seu terrorismo do passado, mal começou e o aborto já vira prioridade. De acordo com reportagem do jornal esquerdista Folha de S. Paulo, a nova ministra Iriny Lopes, escolhida por Dilma Rousseff para tratar das questões das mulheres, vai ter como preocupação defender exatamente aquilo que quase derrotou Dilma na eleição presidencial e aquilo que Dilma se comprometeu a não promover: o aborto.

“Não vejo como obrigar alguém a ter um filho que ela não se sente em condições de ter. Ninguém defende o aborto, é respeitar uma decisão que, individualmente, a mulher venha a tomar.” Essa é a posição pessoal declarada pela atual deputada federal pelo PT do Espírito Santo e futura ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, 54.

A informação é de entrevista de Johanna Nublat publicada na edição desta segunda-feira da Folha (íntegradisponível para assinantes do jornal e do UOL).

Iriny tem histórico de militante dos direitos humanos e sua declaração toca num dos pontos mais explorados durante a disputa eleitoral. Para ela, o papel do governo federal na questão é cumprir a lei, e cabe ao Congresso definir políticas públicas.

O tema consta em programa do PT do início do ano. A futura presidente Dilma Rousseff, porém, se disse contrária a mudanças na legislação -que prevê o aborto apenas em caso de estupro ou risco à saúde materna.

Leia trechos da entrevista:

A sra. fala sobre o aborto?

Sim. Temos a responsabilidade no zelo da saúde pública, dentro da lei, de não permitir nenhum risco às mães.

A sra. tem uma posição pessoal sobre o assunto?

Minha posição é que temos que ter muitas políticas de prevenção e de esclarecimento. Agora, eu não vejo como obrigar alguém a ter um filho que ela não se sente em condições de ter. “Ah, é defesa do aborto…”

Ninguém defende o aborto, trata-se de respeitar uma decisão que, individualmente, a mulher venha a tomar.

Leia a reportagem completa na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.

É impressionante. Em plena estação de Natal, época de pensar no bebê Jesus, e os petistas só estão pensando em aborto e derramamento de sangue!

Fonte: O Verbo / www.juliosevero.com