sexta-feira, 11 de outubro de 2013
O governo que adora ditaduras
segunda-feira, 21 de março de 2011
O Presidente obama faz discurso interessado em um "contrato de gaveta com o PRÈ-SAL Brasileiro".
O Presidente obama faz discurso intressado em um "contrato de gaveta com o PRÈ-SAL Brasileiro".




"Alô, Rio de Janeiro. Alô, Cidade Maravilhosa. Boa tarde todo o povo brasileiro. Desde o momento em que chegamos, o povo desta cidade tem mostrado para a minha família o calor e a receptividade de seu espírito. Quero agradecer a todos por estarem aqui, pois sei que há um jogo do Vasco ou do Botafogo. Eu sei que os brasileiros não abrem mão do futebol.
Uma das primeiras impressões que tive do Brasil veio de um filme que vi com minha mãe, “Orfeu Negro”. Minha mãe jamais imaginaria que minha primeira viagem ao Brasil seria como presidente dos EUA. Vocês são mesmo um “país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza”.
Ontem tive um encontro com a sua presidente, Dilma Rousseff. Hoje, quero falar com vocês sobre as jornadas dos EUA e do Brasil, que são duas terras com abundantes riquezas naturais. Ambos os países já foram colônias e receberam imigrantes de todo mundo. Os EUA foram a primeira nação a reconhecer a independência do Brasil. O primeiro líder brasileiro a visitar os EUA foi Dom Pedro II.
No Brasil, vocês lutaram contra a ditadura, pedindo para serem ouvidos. Mas esses dias passaram. Hoje, o Brasil é um país onde os cidadãos podem escolher seus líderes e onde um garoto pobre de Pernambuco pode chegar ao posto mais alto do país. Foi essa mudança que vimos na Cidade de Deus. Quero dar os parabéns ao prefeito e ao governador pelo seu excelente trabalho. Porém, não se deve olhar para a favela com pena, mas como uma fonte de artistas, presidentes e pessoas com soluções.
Vocês sabem que esta cidade não foi minha primeira escolha para os Jogos Olímpicos. Porém, se os jogos não pudessem ser realizados em Chicago, o Rio seria minha escolha. O Brasil sempre foi o “país do futuro”. Mas agora esse futuro está aqui.
Estou aqui para dizer que nós, nos EUA, não apenas observamos seus sucessos mas torcemos por ele. Juntos, duas das maiores economias do mundo podem trazer crescimentos. Precisamos de um compromisso com a inovação e com a tecnologia.
Assim, queremos ajudá-los a preparar o país para os jogos. Por isso somos países comprometidos com o meio ambiente. Por isso a metade dos carros daqui podem circular com biocombustível. E, portanto, estamos buscando o mesmo nos EUA, para tornar o mundo mais limpo para nossos filhos.
Sendo o Brasil e os EUA dois países que foram tão enriquecidos pela herança africana, temos que nos comprometer com a ajuda à África. Também estamos ajudando os japoneses hoje. Vocês, aqui no Brasil, receberam a maior imigração japonesa no mundo.
Os EUA e o Brasil são parceiros não apenas por laços de comércio e cultura, mas porque ambos acreditam no poder da democracia, porque nada pode ser tão poderoso. Milhões de pessoas , que subiram da pobreza para a classe média, o fizeram pela liberdade. Vocês são a prova de que a democracia é a maior parceira do progresso humano. A democracia dá a esperança de que todos serão tratados com respeito.
Nós sabemos, nos EUA, como é importante trabalhar juntos, mesmo quando não nos entendemos. Acreditamos que a democracia pode ser lenta, mas ela vai sendo aperfeiçoada com o tempo. Também sabemos que todo ser humano quer ser livre, quer ser ouvido, quer viver sem medo ou discriminação. Todos querem moldar seu próprio destino. São direitos universais e devemos apoiá-los em toda parte.
Onde quer que a luz da liberdade seja acesa, o mundo se torna um lugar melhor. Esse é o exemplo do Brasil, um país que prova que uma ditadura pode se tornar uma próspera democracia e que mostra que um grito por mudanças vindo das ruas pode mudar o mundo.
No passado, foi aqui fora, na Cinelândia, que políticos e artistas protestaram contra a ditadura. Uma das pessoas que protestaram foi presa e sabe o que é viver sem seus direitos mais básicos. Porém, ela também sabe o que é perseverar. Hoje ela é a sua presidente, Dilma Rousseff.
Sabemos que as pessoas antes de nós também enfrentaram desafios e isso une as nossas nações. Portanto, acreditamos que, com a força de vontade, podemos mudar nossos destinos. Obrigado. E que Deus abençoe nossas nações."
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Sobre política econômica - Bolívar Lamounier
Bolívar Lamounier
Dor contratada
Dor contratada
Míriam Leitão
O GLOBO
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Amazônia seus povos e suas espécies -- assine a petição
O Presidente do IBAMA se demitiu ontem devido à pressão para autorizar a licença ambiental de um projeto que especialistas consideram um completo desastre ecológico: o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.
A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.
A mudança de Presidência do IBAMA poderá abrir caminho para a concessão da licença – ou, se nós nos manifestarmos urgentemente, poderá marcar uma virada nesta história. Vamos aproveitar a oportunidade para dar uma escolha para a Presidente Dilma no seu pouco tempo de Presidência: chegou a hora de colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar.Assine a petição de emergência para Dilma parar Belo Monte – ela será entregue em Brasília, quando conseguirmos 150.000 assinaturas:
https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl
Abelardo Bayama Azevedo, que renunciou à Presidência do IBAMA, não é a primeira renúncia causada pela pressão para construir Belo Monte. Seu antecessor, Roberto Messias, também renunciou pelo mesmo motivo ano passado, e a própria Marina Silva também renunciou ao Ministério do Meio Ambiente por desafiar Belo Monte.
A Eletronorte, empresa que mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que o IBAMA libere a licença ambiental para começar as obras mesmo com o projeto apresentando graves irregularidades. Porém, em uma democracia, os interesses financeiros não podem passar por cima das proteções ambientais legais – ao menos não sem comprarem uma briga.
A hidrelétrica iria inundar 100.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência. O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o governo precisou usar fundos de pensão e financiamento público para pagar a maior parte do investimento. Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.
Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil. Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética. Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020. Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras. Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.
A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar. Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:
https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl
Acreditamos em um Brasil do futuro, que trará progresso nas negociações climáticas e que irá unir países do norte e do sul, se tornando um mediador de bom senso e esperança na política global. Agora, esta esperança será depositada na Presidente Dilma. Vamos desafiá-la a rejeitar Belo Monte e buscar um caminho melhor. Nós a convidamos a honrar esta oportunidade, criando um futuro para todos nos, desde as tribos do Xingu às crianças dos centros urbanos, o qual todos nós podemos ter orgulho.
Com esperança
Ben, Graziela, Alice, Ricken, Rewan e toda a equipe da Avaaz
Fontes:
Belo Monte derruba presidente do Ibama:
http://colunas.epoca.globo.com/politico/2011/01/12/belo-monte-derruba-presidente-do-ibama/
Belo Monte será hidrelétrica menos produtiva e mais cara, dizem técnicos:
http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/04/belo-monte-sera-hidreletrica-menos-produtiva-e-mais-cara-dizem-tecnicos.html
Vídeo sobre impacto de Belo Monte:
http://www.youtube.com/watch?v=4k0X1bHjf3E
Uma discussão para nos iluminar:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101224/not_imp657702,0.php
Questão de tempo:
http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2011/01/13/questao-de-tempo-356318.asp
Dilma: desenvolvimento com preservação do meio ambiente é "missão sagrada":
http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20110101161250&assunto=27&onde=Politica
Em nota, 56 entidades chamam concessão de Belo Monte de 'sentença de morte do Xingu':
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/08/26/em-nota-56-entidades-chamam-concessao-de-belo-monte-de-sentenca-de-morte-do-xingu-917481377.asp
Marina Silva considera 'graves' as pressões sobre o Ibama:
http://www.estadao.com.br/noticias/economia,marina-silva-considera-graves-as-pressoes-sobre-o-ibama,475782,0.htm
Segurança energética, alternativas e visão do WWF-Brasil:
http://assets.wwfbr.panda.org/downloads/posicao_barragens_wwf_brasil.pdf
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Afinal, quem foi vítima de fraude?
A COISA ESTÁ COMEÇANDO A FEDER
Lendo as reportagens da Veja desta semana, fica claríssimo o plano elaborado pelo governo (PT) para comprar o SBT, fugindo dos marcos legais e do dispêndio financeiro da transação.http://veja.abril.com.br/infograficos/fraude-banco-panamericano/
Fatos:
- Há dois anos o City Bank, após auditoria, compraria o Panamericano mediante uma oferta concreta para o Silvio Santos.
- Há um ano, antes de adquirir 49% do Panamericano, a CEF auditou por si e contratou uma auditoria independente sendo que ambas aprovaram os balanços do banco. Conhecendo as auditorias independentes, é quase impossível que a mesma tenha deixado passar estas operações fraudulentas (de certo modo grosseiras), principalmente, durante o período da crise financeira mundial. Auditores profissionais jamais colocariam em risco seus nomes encobrindo fraudes.
- O BC também participou das auditorias ao autorizar a CEF à aquisição dos 49%.
- No frigir dos ovos o dono do Panamericano é o SS. Quem conhece sua trajetória sabe que é impensável que ele haja se deixado roubar por seus diretores, quanto mais R$2.500.000.000,00 (dois bilhões e quinhentos milhões de reais).
- SS sai a campo, “teatralizando”, sem a menor dor (ou pudor), que lhe roubaram alguns tostões.
- Como o Panamericano é também da CEF, o governo usa o fato para intervir através do FGC.
- O FGC, Fundo Garantidor de Credito, empresta estes tostões a SS que oferece seu patrimônio em garantia.
- O Panamericano não é banco com correntistas depositantes, então, por que seria necessário o FGC se mover para salvá-lo? Porque a CEF está metida no rolo...
- Depois de uma fraude destas, quem, em sã consciência, fará transações financeiras com este banco? A falência dele é questão de pouco tempo.
- Em uma situação crítica como esta, jamais um empresário lançaria mão de todos os bens de seu patrimônio pessoal como garantia de um empréstimo, pelo contrário, ao planejar a fraude, uma das primeiras medidas seria separar as diversas empresas do grupo, tornando-as independentes, evitando assim que fossem arrastadas para o buraco; mantê-las juntas é de uma infantilidade empresarial absurda, não coerente com o perfil de um cidadão judeu-grego.
- SS declara-se incapaz de saldar a dívida (não precisa ficar com pena não, pois, o 2,5 bi já estão no bolso dele, se não for mais).
- FGC executa a garantia ficando com o SBT.
- SBT passa para o controle da CEF, ou seja, o estado (entenda-se PT).
- SBT faz propaganda do governo (PT), colaborando decisivamente para a perenização no poder.
- SBT inicia, aceita e faz propaganda a favor do controle da censura a imprensa ...
Coincidências???
- Por volta de 4 anos atrás, 2006 (início das irregularidades no banco), SS entrevistado por Amauri Jr. à entrada de um evento e perguntado se era verdade que estaria vendendo o SBT a um grupo americano "desmentiu a informação". Insistindo, Amauri Jr. perguntou se existiria um preço pelo qual o empresário se desfaria da, então, segunda rede nacional de TV. SS respondeu: "SIm, é só me pagar 2 bilhões de dólares". Estranho, pelo câmbio atual, parece que SS se contentou com cerca de US$ 1,500,000,000.00.
- Segundo o portal 180º, SS esteve em Brasília para uma "visita" a Lula em 22 de setembro passado (???). Perguntado qual o motivo da "não anunciada" visita respondeu: "Segredo…". Confira emhttp://180graus.com/politica/direto-de-brasilia-silvio-santos-visita-lula-para-tratar-segredo-362505.html
- Resta saber se não há mais dinheiro "por fora" nessa estória. É voz corrente que o PT possui acervo financeiro no exterior na ordem dos 40 bilhões de dólares.
- Será que o filho do Lula vai assumir a direção do Baú?
- Por que será que o Canal Brasil (constante em todas as listas de canais de parabólicas) foi o primeiro canal a transmitir em HD?
- Por que será que Hélio Costa (ex-ministro das Comunicações) canta aos 4 ventos que conseguiu a retransmissão de TV digital (HD) em telefones celulares sem o pagamento de qualquer tarifa?
- Qual será o montante de emissão de títulos da Dívida Pública para "repor" a perda patrimonial da CEF? E a que Taxa de Juros?
Correm a passos largos as medidas para a proclamação da República Democrática Popular Brasileira!
- Reinstituição da CPMF, ou congênere, para o patrulhamento financeiro de cada cidadão.
- Fortalecimento da Propaganda Oficial por meio de canal próprio, pronto a aparelhar o ideário do brasileiro incauto (ou seria inculto?). Resta aguardar onde serão detectadas "fraudes" em periódicos da imprensa escrita, ou seja, jornal e revista de alcance nacional. As emissões de Rádio ficam por conta da Radiobras. A Internet controlada está a caminho. Tudo a serviço da nossa "Grande Mãe". A Pátria? Não, a DIlma!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Guerra por segundo escalão envolve 600 cargos
Depois se reclama da qualidade da Saúde, da Educação, das Telecomunicações, Transportes, Saneamento, investimentos, etc etc etc.
Quando é que nossa sociedade amadurecerá de forma democrática?
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Guerra por segundo escalão envolve 600 cargos
O ESTADO DE S. PAULO
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
A luta com o papel
O Globo
Não há quem não tenha lutado com algum papel. Para muitos foi duro ser pai ou marido e foi mais complicado ainda ser democrata. Entre o papel e a pessoa há sempre um fosso e o seu preenchimento requer o entendimento do "axioma de Shakespeare". A observação segundo a qual o mundo é um palco e todos nós, homens e mulheres, somos meros atores. Todos temos nossas saídas e entradas e desempenhamos muitos papéis.
Papéis são fórmulas. Impossível rir num enterro ou ficar triste num baile de carnaval. Neste primeiro dia do ano, assisti à "posse" de Dilma Rousseff no cargo de presidente da República. A passagem da faixa presidencial foi, como tudo no Brasil, o final de um processo gradual, iniciado com a diplomação pelo TSE e, dias depois, com a assinatura do livro de posse do cargo no Congresso. Dilma é a primeira mulher presidente do Brasil, mas ela assume o cargo sem nenhuma turbulência, inventada e abençoada que foi pelo carisma bem propagado do presidente Lula, que sai deixando a nova administração sob o signo da continuidade.
Inevitável observar essas transições que têm tantas consequências para as nossas vidas porque, afinal de contas, há teatro no poder, mas o poder não é teatro. Nas democracias, separar pessoas e papéis é algo fundamental, senão o seu fundamento. Nelas, não cabem os movimentos "fora X, Y ou Z" quando alguém é eleito para ocupar o papel de "supremo mandatário da nação", como diz a nossa autoritária fórmula cultural. Você pode ser contra um partido ou uma pessoa, mas não pode torcer contra a presidência ou contra o seu país.
Há papéis universais, como o de cidadão, pedestre, comprador, viajante, eleitor etc... - e papéis especiais. Quanto mais importante, mais difícil e desejado é o papel. Há papéis que enriquecem, há os que marginalizam e os que notabilizam, como o de artista ou de escritor premiado. Há os superexclusivos, a serem ocupados por uma só pessoa que, por isso mesmo, encerram biografias, como os de Papa, rei e presidente da República. Sem esquecer o de dita(dor)! Sua exclusividade é uma medida óbvia do seu poder de construir&destruir, daí a sua onipotência, a ser, se há bom senso, necessariamente controlada. Nos países de índole hierárquica que amam privilégios e o Estado serve para aristocratizar os membros do poder, esse cargo é incensado e a onipotência do papel contamina o seu ocupante. Uma imprensa livre e desinibida é o remédio contra essa dose de divindade e por isso ela é tão odiada quando uma pessoa se apossa da presidência.
Papeis exclusivos fecham biografias e obrigam a um abandono do mundo, conforme viram Max Weber e Louis Dumont. Ler certas vidas como exemplos de renúncia do mundo, conforme sugeri faz tempo, ajuda a compreender tipos como Antonio Conselheiro, Pedro Malasartes, Lampião, Leonardo Filho, Jânio Quadros, Getúlio Vargas e outros. Figuras reais e imaginárias filiadas à corrente dos que, por alguma tragédia, convicção ou decepção, foram obrigados a sair do mundo em que viviam.
Dir-se-ia que o papel de presidente da República situa a pessoa no centro. Mas é justo no centro onde jazem a maior solidão e as mais tenebrosas tentações. Como sabem as "celebridades", alguns papéis devoram seus ocupantes. No topo, qualquer movimento leva à planície. Por isso, as sociedades arcaicas cercavam a realeza com cargos dados ao nascer e perdidos ao morrer. No caso das democracias modernas, temos uma situação curiosa. O papel de presidente é perpétuo e todo-poderoso; mas a pessoa é, pela teoria, um cidadão falível e mortal. Sabe-se que o Congresso americano discutiu se o primeiro presidente do país, George Washington, deveria ser tratado como "Vossa Majestade" ou "Senhor". Ficaram, coerentemente, com a segunda fórmula. O resultado desse dilema entre um papel que transforma e a pessoa que a ele sobrevive é a idealização e o endeusamento dos que, num mundo de cidadãos, são elevados por tais cargos.
A percepção do limite da pessoa no papel e do papel na pessoa é uma arte. Ser o nº 1 de um país, tendo - como no caso do Brasil - todos aqueles puxa-sacos, mordomos, assessores, asseclas, aliados, secretários e empregados; poder gastar e usufruir de tudo secreta ou abertamente; estar sujeito ao aval de sua própria ética porque entre nós a presidência foi moldada numa cultura monárquica jamais discutida ou erradicada, é algo que poucos podem realizar com bom senso e honestidade. Por isso Lula falou em "desencarnar" do papel. Pois nele permanecer seria patológico e inviável. Até onde ele vai realizar isso, aceitando o tenebroso "ex" (há algo mais patético do que um ex-marido?), veremos. E até onde Dilma Rousseff vai nele se adaptar, será visto nos próximos quatro anos. A ambos o cronista deseja sucesso, pois, como um encarnado antropólogo cultural que sabe de duas ou três coisas sobre a vida coletiva, ele compreende como deve ser duro sair e entrar de um papel que canibaliza, esgota e coage ao ponto da tortura. Um cargo que obriga a ser presciente quando todos em volta nada sabem; que determina cautela quando não se tem tempo para decidir e inovação quando os hábitos exigem as velhas fórmulas; que determina impessoalidade num universo marcado pela ética da condescendência; que manda acreditar quando não se acredita. Um papel, enfim, eventualmente assassino, que pode crucificar o seu ocupante. Tal como ocorria com os messias, os profetas ou os velhos feiticeiros e hereges que eram queimados vivos nas fogueiras.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Ministra Iriny Lopes de Dilma defende aborto
Ministra petista diz: “Não dá para obrigar mulher a ter filho”.
(Por Julio Severo) – O governo de Dilma, a mulher que nunca renunciou ao seu terrorismo do passado, mal começou e o aborto já vira prioridade. De acordo com reportagem do jornal esquerdista Folha de S. Paulo, a nova ministra Iriny Lopes, escolhida por Dilma Rousseff para tratar das questões das mulheres, vai ter como preocupação defender exatamente aquilo que quase derrotou Dilma na eleição presidencial e aquilo que Dilma se comprometeu a não promover: o aborto.
“Não vejo como obrigar alguém a ter um filho que ela não se sente em condições de ter. Ninguém defende o aborto, é respeitar uma decisão que, individualmente, a mulher venha a tomar.” Essa é a posição pessoal declarada pela atual deputada federal pelo PT do Espírito Santo e futura ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, 54.
A informação é de entrevista de Johanna Nublat publicada na edição desta segunda-feira da Folha (íntegradisponível para assinantes do jornal e do UOL).
Iriny tem histórico de militante dos direitos humanos e sua declaração toca num dos pontos mais explorados durante a disputa eleitoral. Para ela, o papel do governo federal na questão é cumprir a lei, e cabe ao Congresso definir políticas públicas.
O tema consta em programa do PT do início do ano. A futura presidente Dilma Rousseff, porém, se disse contrária a mudanças na legislação -que prevê o aborto apenas em caso de estupro ou risco à saúde materna.
Leia trechos da entrevista:
A sra. fala sobre o aborto?
Sim. Temos a responsabilidade no zelo da saúde pública, dentro da lei, de não permitir nenhum risco às mães.
A sra. tem uma posição pessoal sobre o assunto?
Minha posição é que temos que ter muitas políticas de prevenção e de esclarecimento. Agora, eu não vejo como obrigar alguém a ter um filho que ela não se sente em condições de ter. “Ah, é defesa do aborto…”
Ninguém defende o aborto, trata-se de respeitar uma decisão que, individualmente, a mulher venha a tomar.
Leia a reportagem completa na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.
É impressionante. Em plena estação de Natal, época de pensar no bebê Jesus, e os petistas só estão pensando em aborto e derramamento de sangue!
Fonte: O Verbo / www.juliosevero.com


