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quarta-feira, 9 de março de 2011

Mudança de postura nas Relações Internacionais

Jefferson W. Santos*


A visita de Obama nos próximos dias a nosso país representa uma tentativa daquele país de estreitar os laços diplomáticos e comerciais que foram afrouxados nos últimos oito anos.

O ex-Emb Abdenur já, em dois artigos que postei, manifestou os cuidados que nossa política externa tem que ter para que não deixemos que a ideologia e o sectarismo tomem conta dos negócios da sociedade.

O Senado Federal é o condutor das orientações, representando o povo brasileiro, para que o Itamaraty, órgão do Executivo, as execute para o bem de nossa sociedade.

Convém, sempre, salientar que somos uma sociedade de baixa produção educacional de alto valor agregado o que nos coloca, sempre, na dependência de valores altos de compras externas de nossas commodities. Convém ressaltar que os EUA é, no mundo, o maior consumidor e exportador ao mesmo tempo que paga em dia suas contas, diferentemente dos países que o ex-presidente Lula se aliou nos oito anos que esteve nos representando.

Precisamos gerar emprego de forma sustentável para diminuir a desigualdade social. Estes objetivos passam, necessariamente, pela ampliação do mercado externo consumidor de nossos produtos. Contudo, para nosso bem e estabilidade convém que sejam parceiros confiáveis.

A reaproximação com os EUA significa compras de nossa produção com pagamento em uma dinâmica estável e confiável.

Relações diplomáticas e comércio exterior são temas que a sociedade brasileira precisa acompanhar sempre. 

*M Sc em Segurança e Defesa Hemisféricas pelo Colégio Interamericano de Defesa (Washington) e Unversidad del Salvador (Buenos Aires).
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Extraído: Somos Assim

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Raras e cobiçadas

O que faltou para nós nos últimos vinte anos neste quesito foi uma séria, e não demagógica visão de inserção econômica no mundo. Por intermédio da pá-de-cal de Collor e da redução de investimentos em pesquisa e produção mineral e nuclear perdemos preciosos espaços no mundo nos condenando a meros produtores e exportadores de commodities.

O texto fala de como a China dominará importantes segmentos de produção nos próximos quinze anos.


Raras e cobiçadas
Celso Ming

O Estado de S.Paulo

A notícia correu o mundo: em setembro, a China, usando como pretexto um incidente sobre soberania territorial, suspendeu as exportações de terras raras para o Japão. O governo de Pequim negou o embargo.

Independentemente dos vaivéns diplomáticos, o fato é que a China tem reduzido a exportação desse material estratégico e isso levanta no resto do mundo preocupações de todo o tipo.

Terras raras são um conjunto de 17 minerais não ferrosos cujos nomes esquisitos estão nos manuais de química: gadolínio, térbio, disprósio, lutécio... Até há pouco tempo eram apenas usados nos laboratórios de pesquisa.

Hoje, são essenciais na fabricação de produtos de alta tecnologia, como mísseis, ou em artigos de uso cada vez mais intensivo, como lâmpadas fluorescentes, telefones celulares, notebooks, painéis de energia solar e turbinas eólicas.

Apesar de o nome sugerir escassez, há jazidas em vários países, mas o seu processamento é caro e altamente poluidor. Isso explica o predomínio da China na mineração e no refino nas últimas décadas. Em 2009, por exemplo, respondeu por nada menos que 97% da produção mundial.

Depois de ter reduzido em 40% as exportações de 2010 em comparação com as de 2009, dia 28 o governo da China avisou que vai restringir ainda mais os fornecimentos a partir do primeiro semestre deste ano. A informação chega num momento em que a demanda mundial já ultrapassa a oferta. Um relatório do Congresso americano avalia a atual produção mundial em 124 mil toneladas por ano, enquanto o consumo já é de 134 mil toneladas, e deverá alcançar as 200 mil toneladas em 2014. Como se vê, a reciclagem vai ficar cada vez mais importante.

O maior prejudicado pelas decisões da China, o Japão (um dos principais importadores), começa a se mexer. Tóquio planeja investir 100 bilhões de ienes (US$ 1,2 bilhão) para garantir o suprimento. Outros países estão nessa rota. No dia 15 de dezembro, o Departamento de Energia dos Estados Unidos divulgou documento que adverte sobre a necessidade de reduzir nos próximos 15 anos a dependência de metais raros de origem chinesa.

E como está o Brasil? Há terras raras a serem exploradas por aqui?

Estimativas dão conta de que as reservas brasileiras somam algo em torno de 48 mil toneladas, quantia suficiente para abastecer uma futura demanda interna e, se houver excedente, exportá-lo. Mas hoje não há nenhuma jazida em exploração.

Fernando Antônio Freitas Lins, diretor do Departamento de Tecnologia e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, conta que as reservas que até recentemente serviam à demanda do Brasil estão exauridas há anos.

De novo houve apenas a constituição, em junho passado, de um grupo interministerial integrado por especialistas do Ministério de Minas e Energia e do Ministério da Ciência e Tecnologia. Está encarregado de fazer um mapeamento dos minerais estratégicos no Brasil. O estudo inclui desde o levantamento geológico em áreas potenciais até o apoio à pesquisa para definição de jazidas e o incentivo ao desenvolvimento de produtos de alta tecnologia. Os trabalhos estão em fase final, mas o diretor Freitas Lins avisa: "Os resultados só aparecerão a médio e a longo prazos."

Grande avanço

Não é o saldo comercial positivo, em 2010, de US$ 20,3 bilhões, bem acima do projetado, que merece mais comemoração. Mais importante foi o avanço das exportações, de nada menos que 31,4%, num ano em que as encomendas dos países ricos (os maiores compradores) estiveram travadas pelo baixo crescimento econômico.

Primeiro lugar

É, sim, um desempenho obtido com forte apoio das vendas de commodities. No entanto, deve apontar o Brasil como o país com maior crescimento das exportações em 2010.
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