Quando falamos de desafios mundiais, todos são importantes, óbvio.
No entanto, em um mundo de recursos limitados, não conseguiremos resolver todos de uma vez. Temos que priorizar, saber o que é melhor atacar primeiro.
Ao invés de desperdiçar dinheiro em soluções de pouco retorno social, precisamos identificar os principais problemas, verificar o custo-benefício das soluções e então criar uma lista de ações prioritárias.
Após essa análise, verificou-se que algumas das prioridades atuais dos governos não geram tanto benefício ou não são tão urgentes.
Será que tem alguém fazendo uma lista assim no Brasil?
Links Interessantes:
- Resultado do Copenhagen Consensus - 2008
- Wikipedia sobre Copenhagen Consensus e Bjørn Lomborg
- Artigos na The Economist sobre o Copenhagen Consensus
- Site Pessoal de Bjørn Lomborg
Palestra fantástica dele no TED Talks:
Bjorn Lomborg define as Prioridades Globais
- Video on TED.com - 16 min
Melhores Trechos:
Quais são os maiores problemas do mundo? Eu vou apenas listar alguns deles.
E por aí vai.
- Existem 800 milhões de pessoas famintas.
- Existe 1 bilhão de pessoas sem água potável para beber.
- 2 bilhões de pessoas sem saneamento básico.
- Existem milhões de pessoas morrendo de HIV e AIDS.
- Existem 2 bilhões de pessoas que serão gravemente afetadas pela mudança climática
Existem muitos, muitos problemas por aí. Devemos começar a nos perguntar quais problemas devemos resolver primeiro?
Se nós tivessemos, digamos, US$ 50 bilhões para gastar nos próximos 4 anos para fazer o bem nesse mundo, onde deveríamos investí-los?
Nós identificamos 10 dos maiores desafios no mundo e vou listá-los, rapidamente.
Nós acreditamos que esses, em muitas formas, englobam os maiores problemas no mundo.
- Mudança climática
- doenças transmissíveis
- conflitos
- educação
- estabilidade financeira
- governança e corrupção
- desnutrição e fome
- migração da população
- saneamento básico e água
- subsídios e barreiras comerciais.
Mas, claro, existe um problema em pedir às pessoas para focar em problemas. Claramente o maior problema que temos no mundo é que todos morremos.
Mas nós não temos a tecnologia para solucionar isso, certo? Então o ponto é não priorizar problemas, mas, sim, priorizar as soluções para os problemas.
Claro que fica um pouco mais complicado. Para mudança climática seria como o protocolo de Kyoto. Para doenças transmissíveis, seriam clínicas de saúde ou redes de mosquito. Para conflitos, seria a força de paz da ONU e assim por diante.
Você deve se perguntar, porque diabos essa lista nunca foi feita antes? E uma razão é que a priorização é incrivelmente desconfortável. Ninguém quer fazer isso. Claro, toda organização gostaria de estar no topo dessa lista.
Existem tantas, tantas coisas que podemos fazer por aí, mas nós nunca soubemos o preço, nem o tamanho delas. Nós não tinhamos uma ideia. Imagine ir a um restaurante e receber um cardápio enorme, mas você não tem ideia dos preços.
E isso é o que o Consenso de Copenhagen está tentando fazer – tentar colocar preços nessas questões. Nós temos 30 dos melhores economistas do mundo, 3 em cada área.
Então temos 3 dos melhores economistas escrevendo sobre mudança climática. O que podemos fazer? Qual será o custo? E assim por diante.
E então você pergunta: porque economistas? O ponto é, claro, se você quer saber sobre malária, pergunte a um expert em malária. Se você quer saber sobre o clima, pergunte a um climatologista.
Mas se você quer saber com qual dos dois devemos lidar primeiro, você não pode perguntar a nenhum deles, pois não é isso que fazem. Isso é o que um economista faz. Eles priorizam.
Então, essa é a lista e eu gostaria de compartilhá-la com vocês. Claro, você pode vê-la também na Internet, e nós iremos falar mais a respeito, tenho certeza, durante o dia.
Eles basicamente montaram uma lista onde dizem existem maus projetos – basicamente projetos onde, se você investir um dólar, terá menos de um dólar de retorno.
Claro, são pelos projetos muito bons que devemos começar.
No fim da lista está a mudança climática. Isso ofende bastante gente.
A razão pela qual eles levantaram a questão de que Kyoto – ou alguma coisa ainda maior que Kyoto – é um mau negócio é simplesmente porque é muito ineficiente.
Não é dizer que o aquecimento global não está ocorrendo. Não é dizer que isso não é um grande problema. Mas é dizer que o que podemos fazer a respeito é muito pouco a um custo muito alto.
Deve custar cerca de US$ 150 bilhões por ano. É uma quantia substancial de dinheiro. Isso é duas ou três vezes a ajuda global para desenvolvimento que nós damos para o Terceiro Mundo todo ano. Ainda assim seria um pequeno bem.
Todos os modelos mostram que iria-se adiar o aquecimento em 6 anos em 2100. Para que o cara em Bangladesh não receba a inundação em 2100 e espere 2106.
E apenas para dar uma certa referência, a ONU atualmente estima que por metade dessa quantia, por cerca de US$ 75 bilhões por ano, nós poderíamos resolver todos os maiores problemas básicos do mundo.
Nós podemos fornecer água limpa, saneamento, assistência médica e educação para todo ser humano no planeta.
Então devemos nos perguntar: nós queremos gastar duas vezes o valor para trazer muito pouco benefício? Ou metade do valor para trazer um enorme benefício? E isso é porque se torna realmente um mau projeto.
Não é dizer que se tivéssemos todo o dinheiro do mundo, não gostaríamos de fazer. Mas é dizer que, como não temos, simplesmente não é nossa primeira prioridade.
Eu gostaria de mostrar as quatro principais prioridades que deveriam ser, ao menos, as primeiras a lidarmos, quando falamos sobre como devemos resolver os problemas do mundo.
O quarto melhor problema é a malária. A incidência de malária é de aproximadamente 2 bilhões de pessoas infectadas por ano. Isso pode consumir até um ponto percentual do PIB a cada ano nas nações infectadas.
Se nós investíssemos US$ 13 bilhões pelos próximos 4 anos, poderíamos reduzir essa incidência pela metade.
Nós conseguiríamos prevenir que 500 mil pessoas morresem, mas talvez mais importante, poderíamos impedir 1 bilhão de pessoas de serem infectadas a cada ano.
O terceiro melhor foi o livre comércio. Basicamente, o modelo demonstrou que se tivéssemos acesso ao livre comércio e espeficicamente cortar subsídios nos EUA e Europa, nós poderíamos reanimar a economia global com o surpreendente número de cerca de US$ 2,4 trilhões por ano, metade dos quais seriam recebidos pelo Terceiro Mundo.
De novo, o ponto é dizer que podemos tirar, de fato, até 300 milhões de pessoas da pobreza, radicalmente rápido, entre 2 a 5 anos aproximadamente. Isso seria a terceira melhor coisa a se fazer.
A segunda melhor coisa seria focar a desnutrição. Não apenas desnutrição em geral, mas existe uma forma muito barata de lidar com a falta de nutrientes.
Basicamente, metade da população do mundo tem falta de ferro, zinco, iodo e vitamina A. Se nós investíssemos cerca de US$ 12 bilhões, poderíamos atacar severamente esse problema. Isso seria o segundo melhor investimento que poderíamos fazer.
E o melhor projetos de todos seria nos focar no HIV/AIDS.Basicamente, se nós investíssemos US$ 27 bilhões nos próximos 8 anos, nós poderíamos evitar 28 milhões de novos casos de HIV/AIDS.
Existem duas formas muito diferentes de lidarmos com HIV/AIDS. Uma é o tratamento, a outra é a prevenção. Tratamento é muito, muito mais caro que prevenção.
Então, podemos fazer muito mais ao investir na prevenção. Basicamente para a quantia de dinheiro que gastamos, nós podemos fazer uma quantia X de bem em tratamento, e 10 vezes essa quantia de bem em prevenção.
Eu gostaria que vocês olhassem suas listas de prioriedades e digam, vocês acertaram? Ou chegaram perto dessa que nós concluímos aqui?
Existem muitos problemas pelo mundo afora. E o que eu quero assegurar é que foquemos nos problemas certos. Aqueles onde nós podemos fazer muitos benefícios ao invés de poucos.
As pessoas também dizem: mas e a guerra no Iraque? Vocês sabem, nós gastamos US$ 100 bilhões. Porque não gastamos isso em fazer algum bem no mundo? Eu sou a favor. Se algum de vocês puder convencer o Bush a fazer isso, tudo bem.
A verdadeira questão aqui é pararmos um pouco para pensar sobre quais são as prioridades corretas.
Sabem, quando perguntamos aos melhores economistas do mundo, inevitavelmente acabamos perguntando a homens brancos e americanos. E eles não são necessariamente, sabem, a melhor forma de se olhar para o mundo todo.
Então nós convidamos 80 jovens de toda parte do mundo para vir e resolver o mesmo problema. Apenas dois requisitos eram necessários, eles deveriam estudar numa universidade e falar inglês.
A maioria deles eram, em primeiro lugar, de países em desenvolvimento. Eles tinham o mesmo material mas podiam se extender fora dos escopos da discussão, e certamente o fizeram, para propor sua própria lista.
E a coisa surpreendente foi que a lista era muito similar, com desnutrição e doenças no topo e mudança climática no final.
Espero que isso nos ajude a priorizar melhor as coisas, e pensar sobre como trabalharemos melhor para o mundo.

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