Bem, amigos, finalmente vejo alguém abordar o tema da mesma forma pela qual produzi minha tese para mestrado (nos EUA mestrado tem tese - thesis- e não dissertação).
Dentre os motivos que justifiquei meu projeto abaixo o jornalista abrange cinco deles.
Vale a pena acompanhar o tema.
Menos pão, mais gritaria
Celso Ming
O Estado de S.Paulo
Em casa onde não tem pão, todos gritam e ninguém tem razão, adverte o ditado. E é com preocupações voltadas para o potencial político explosivo do que está acontecendo que as autoridades do mundo começam a se mexer.
Os preços dos alimentos estão em forte escalada. Saltaram 23,9% em 2010 e, em janeiro, já subiram 3,4%. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, na condição de presidente rotativo do G-20, avisa que o controle da situação, ou o que isso venha a significar, está no centro da pauta de discussões.
Quinta-feira, em Washington, o presidente do Fed (o banco central americano), Ben Bernanke, defendeu-se da cada vez mais frequente acusação de que é o principal causador da escassez da comida (a seguir você tem a explicação). No mesmo dia, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, fez um apelo para que os dirigentes mundiais enfrentassem corajosamente o problema. Amanhã, o ministro das Finanças do país mais poderoso do mundo, Tim Geithner, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, desembarcará no Brasil para coordenar ação conjunta sobre o tema.
As divergências são enormes e começam pelo diagnóstico. Sarkozy insiste em que o principal problema é a ação dos especuladores, que estariam apostando dinheiro grosso na alta das commodities. É por isso, também, que a ação de Bernanke está sendo questionada. O Fed injetou US$ 1,7 trilhão na economia numa operação conhecida como afrouxamento quantitativo e vai reforçando com mais US$ 600 bilhões. Esse é o principal motivo pelo qual os mercados estão encharcados de dinheiro. Mas não dá para apontar o dedo acusador apenas para o Fed. Todos os bancos centrais dos países ricos estão despejando recursos nas suas praças.
Um segundo diagnóstico é o de que essa disparada de preços tem a ver com adversidades climáticas em grandes países produtores de grãos: seca na Ucrânia, China e Argentina; e inundações na Austrália.
Outro grupo de analistas aponta as compras maciças feitas por pessoas, especialmente na China, Tailândia e Bangladesh, que decidiram reforçar os estoques como medida de segurança alimentar.
Há, em quarto lugar, a velha acusação de que os países ricos, como os Estados Unidos, toda a União Europeia e também o Brasil, estão canalizando cada vez mais grãos para produzir biocombustíveis.
O quinto diagnóstico põe ênfase no crescimento do consumo. Mais de 40 milhões de asiáticos, principalmente na China, ascendem todos os anos ao mercado de consumo. Essa gente começou a se alimentar melhor. E essa é explicação suficiente para que se entenda todo o resto. Como nos acidentes de avião, não dá para excluir nenhum dos fatores. Todos eles concorrem para a produção do mesmo efeito. No entanto, o aumento do consumo global parece ser o mais importante.
As consequências disso podem ser terríveis. Em 2008, quando os preços do arroz triplicaram, os técnicos do Banco Mundial calcularam que 100 milhões de pessoas voltaram para abaixo da linha da pobreza. E, de barriga vazia, o risco de conflitos políticos tende a aumentar.
Se há enormes divergências de diagnóstico, mais ainda as há em relação às medidas a serem tomadas. Mas a análise dessas fica para outro dia.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Culpa das commodities?
Minha tese de mestrado foi acerca de Segurança Alimentar. Nada a ver com minha atividade original, contudo por tratar-se de um tema de constante potencial de instabilidade política e econômica, tive que transitar por muitos índices estatísticos.
De fato o que o nosso ex-embaixador e ex-Ministro da Economia diz eu comprovei, os dados de base são de médias históricas muito antigas e são absolutamente herméticos.
Comprovei, também, o que ele diz por intermédio de entrevistas com diplomatas especializados e um representante da FAO: há um protecionismo muito forte dos países do G-8 e União Européia sobre seus produtos e uma forte tendência de controle da produção mundial, notadamente dos países emergentes. Quem sempre sai perdendo são os países de baixa capacidade de produção.
Um dos motivos de eu não ter entendido a pressão de Lula para a compra dos caças franceses foi essa, pois a França, sempre que pode, botou empecilhos na comercialização de nossos commodities na Comunidade Européia. Foi quando ressaltei que a ideologia e a vaidade em se tornar um líder visível mundialmente estaria afetando os interesses da sociedade brasileira.
O economista em seu artigo abaixo explica, muito bem, o fenômeno.
Culpa das commodities?
Rubens Ricupero
FOLHA DE S. PAULO
A estabilização do preço das commodities agrícolas, que o Brasil tenta em vão privilegiar na agenda internacional desde a conferência de Bretton Woods em 1944, passou de repente a ser prioridade para os presidente da França, do Banco Mundial e para o diretor da Organização Mundial de Comércio.
Por que a súbita receptividade? Não teria havido volatilidade antes ou o tema apenas preocupa quando os preços sobem (raramente) e não quando desabam como durante a maior parte dos últimos cem anos?
Está em curso ação liderada pelo presidente Sarkozy para tentar controlar o preço dos alimentos na próxima reunião do G20, na França.
A iniciativa deve preocupar o comércio exterior e o agronegócio brasileiros. Ela patenteia a ingenuidade dos que acreditaram numa coincidência estratégica entre os interesses do Brasil e os da França, campeã dos subsídios e do protecionismo agrícola.
Da última vez em que os alimentos aumentaram (2008-09), chamei a atenção na Folha para estudo de Ocampo e Parra mostrando que a alta era só nominal e os preços estavam apenas se recuperando em termos reais.
Ao contrário do índice da FAO (Organização de Alimentos e Agricultura), que parte de base distorcida (1990, auge da queda), os autores do estudo compararam os preços com a média histórica de 1945 a 1980, fase de 35 anos de preços abaixo até da média histórica. Corrigiram as cotações nominais descontando a inflação do período.
Garantido por essas cautelas o estudo revela que: a) os produtos agrícolas sofreram nos anos 1980 colapso só comparável ao de 1920-21; b) a agricultura tropical foi a mais atingida pelo declínio de longo prazo dos preços; c) em 2008 os únicos produtos acima da média anterior (óleo de palma, trigo, bananas e borracha) não possuíam expressão na pauta exportadora do Brasil; d) continuavam muito deprimidos o cacau, o chá, o café, o algodão e o açúcar.
Valeria a pena que entidades brasileiras competentes atualizassem o estudo, utilizando a mesma metodologia. Duvido, no entanto, que o resultado seja muito diferente em relação ao obtido em 2008.
Lembro o precedente para alertar sobre o perigo de aceitar de modo passivo índices, estudos e campanhas que nos chegam com o selo prestigioso de organismos mundiais, escondendo estratégias adversas aos interesses brasileiros.
O problema das commodities agrícolas deve merecer atenção internacional, não apenas devido ao impacto dos preços em países importadores de alimentos.
É preciso não esquecer que a recente mudança para melhor no desempenho econômico da África e da America Latina não teria sido possível sem a recuperação das cotações de commodities.
O equilíbrio e a boa fé exigiriam também eliminar os subsídios dos ricos, que desestimulam a produção de alimentos em países pobres, tornando-os dependentes da ajuda alimentar.
Em seguida, impõe-se coibir a perniciosa especulação financeira em commodities.
Por fim, não se pode pensar em controlar preços agrícolas sem antes controlar fertilizantes, combustíveis e todos os demais insumos do setor que contribuem poderosamente para a formação dos custos dos agricultores.
De fato o que o nosso ex-embaixador e ex-Ministro da Economia diz eu comprovei, os dados de base são de médias históricas muito antigas e são absolutamente herméticos.
Comprovei, também, o que ele diz por intermédio de entrevistas com diplomatas especializados e um representante da FAO: há um protecionismo muito forte dos países do G-8 e União Européia sobre seus produtos e uma forte tendência de controle da produção mundial, notadamente dos países emergentes. Quem sempre sai perdendo são os países de baixa capacidade de produção.
Um dos motivos de eu não ter entendido a pressão de Lula para a compra dos caças franceses foi essa, pois a França, sempre que pode, botou empecilhos na comercialização de nossos commodities na Comunidade Européia. Foi quando ressaltei que a ideologia e a vaidade em se tornar um líder visível mundialmente estaria afetando os interesses da sociedade brasileira.
O economista em seu artigo abaixo explica, muito bem, o fenômeno.
Culpa das commodities?
Rubens Ricupero
FOLHA DE S. PAULO
A estabilização do preço das commodities agrícolas, que o Brasil tenta em vão privilegiar na agenda internacional desde a conferência de Bretton Woods em 1944, passou de repente a ser prioridade para os presidente da França, do Banco Mundial e para o diretor da Organização Mundial de Comércio.
Por que a súbita receptividade? Não teria havido volatilidade antes ou o tema apenas preocupa quando os preços sobem (raramente) e não quando desabam como durante a maior parte dos últimos cem anos?
Está em curso ação liderada pelo presidente Sarkozy para tentar controlar o preço dos alimentos na próxima reunião do G20, na França.
A iniciativa deve preocupar o comércio exterior e o agronegócio brasileiros. Ela patenteia a ingenuidade dos que acreditaram numa coincidência estratégica entre os interesses do Brasil e os da França, campeã dos subsídios e do protecionismo agrícola.
Da última vez em que os alimentos aumentaram (2008-09), chamei a atenção na Folha para estudo de Ocampo e Parra mostrando que a alta era só nominal e os preços estavam apenas se recuperando em termos reais.
Ao contrário do índice da FAO (Organização de Alimentos e Agricultura), que parte de base distorcida (1990, auge da queda), os autores do estudo compararam os preços com a média histórica de 1945 a 1980, fase de 35 anos de preços abaixo até da média histórica. Corrigiram as cotações nominais descontando a inflação do período.
Garantido por essas cautelas o estudo revela que: a) os produtos agrícolas sofreram nos anos 1980 colapso só comparável ao de 1920-21; b) a agricultura tropical foi a mais atingida pelo declínio de longo prazo dos preços; c) em 2008 os únicos produtos acima da média anterior (óleo de palma, trigo, bananas e borracha) não possuíam expressão na pauta exportadora do Brasil; d) continuavam muito deprimidos o cacau, o chá, o café, o algodão e o açúcar.
Valeria a pena que entidades brasileiras competentes atualizassem o estudo, utilizando a mesma metodologia. Duvido, no entanto, que o resultado seja muito diferente em relação ao obtido em 2008.
Lembro o precedente para alertar sobre o perigo de aceitar de modo passivo índices, estudos e campanhas que nos chegam com o selo prestigioso de organismos mundiais, escondendo estratégias adversas aos interesses brasileiros.
O problema das commodities agrícolas deve merecer atenção internacional, não apenas devido ao impacto dos preços em países importadores de alimentos.
É preciso não esquecer que a recente mudança para melhor no desempenho econômico da África e da America Latina não teria sido possível sem a recuperação das cotações de commodities.
O equilíbrio e a boa fé exigiriam também eliminar os subsídios dos ricos, que desestimulam a produção de alimentos em países pobres, tornando-os dependentes da ajuda alimentar.
Em seguida, impõe-se coibir a perniciosa especulação financeira em commodities.
Por fim, não se pode pensar em controlar preços agrícolas sem antes controlar fertilizantes, combustíveis e todos os demais insumos do setor que contribuem poderosamente para a formação dos custos dos agricultores.
Tempestade no deserto
Míriam Leitão
O GLOBO
O Egito magnetiza o mundo porque é um dos mais complexos fatos contemporâneos. Não há uma única explicação simples. Tudo é espantosamente complicado quando se tenta entender causas e consequências. Eventos que aparentemente não estão ligados misturam-se elevando o grau de tensão e incerteza: desemprego de jovens, revolução da comunicação, luta contra tiranias, preço de alimentos.
A imprevisibilidade tem estado presente desde o início dos fatos. Quando um rapaz vendedor de verduras ateou fogo ao corpo na Tunísia, ninguém imaginaria que isso acabaria provocando a queda de um ditador que estava no poder há 23 anos. No entanto, hoje Ben Ali está refugiado na Arábia Saudita. A Jordânia fez reformas no governo. O Iêmen avisou que haverá alternância no poder em 2013. A Argélia avisou que o estado de emergência que vigorou por 19 anos será suspenso. O Egito está vivendo dias dramáticos. O governo americano teve que mudar suas posições e fazer pronunciamentos que seriam impensáveis tempos atrás contra o que era apresentado como: "confiável aliado" e um "governo estável." Todos olham para outros países pensando quem mais poderá ser atingido pela verdadeira tempestade no deserto: Síria, Líbia e até, quem sabe, a Arábia Saudita.
O que o jovem Mohammed Bouazizi da Tunísia tinha que provocou um efeito dominó do qual ainda não se sabe o final? Tinha sonhos não realizados. Ele estudou, fez universidade, achou que iria além dos seus pais. Mas, desempregado, decidiu ter uma banca de verduras na qual era achacado por policiais corruptos. Um dia, os policiais tomaram a sua barraca. A frustração e a raiva foram além do que ele podia suportar. Depois de se imolar, ele ainda sofreu por 23 dias no hospital antes de morrer.
Jovens com sonhos não realizados, prisioneiros de situações tirânicas - das pequenas ou grandes autoridades - e que se sentem num beco sem saída podem habitar qualquer país, em qualquer dos mundos do mundo, em qualquer religião ou cultura. Ele pareceu o retrato no espelho para jovens de vários outros países no Norte da África.
Hoje, o fenômeno do desemprego de jovens é mundial: ocorre em países ricos como Estados Unidos, Espanha. Em países emergentes que crescem. É problema urgente. Numa democracia como o Brasil, deve estar no topo da agenda. As empresas falam em pleno emprego, e o Brasil fechou seu melhor ano com uma taxa média de 14,9% de desemprego entre 18 a 24 anos.
A ditadura de Ben Ali demorou a cair mais do que nos damos conta. O rapaz jogou fogo ao corpo em dezembro, morreu no dia 4 de janeiro, e o presidente fugiu no dia 14. Mas enquanto foi a Tunísia, o Ocidente olhou apenas com curiosidade. Quando a fúria chegou ao Cairo, capital do país que sempre foi considerado uma peça central no xadrez da parte mais complicada do mundo, todos viram.
Foi quando tantos se deram conta da nossa piramidal ignorância sobre os fenômenos do mundo árabe e muçulmano. No primeiro momento, algumas análises apontavam o Egito como a véspera do Irã de 1978, sem ver todas as inúmeras matizes que existem no Oriente. Vários dias de noticiário intenso, de surpresas, e de consultas a quem entende ou acompanha de perto ajudaram a vislumbrar algumas nuances.
A fúria dos manifestantes armados pelo estado policial comandado durante 30 anos por Hosni Mubarak abateu-se com a mesma intensidade sobre a CNN e a Al Jazeera, que se apresenta como "uma visão alternativa", e que, a propósito, não é transmitida nos Estados Unidos, apesar de ser vista pela internet. A TV iraniana em inglês, a PressTV, que se propõe a ser uma alternativa persa no mundo islâmico, também transmitia as mesmas imagens, frequentemente com as mesmas avaliações dos fatos. A diferença era o destaque à interpretação do Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, de que o que está acontecendo da Tunísia ao Egito é o eco das vozes da revolução islâmica iraniana.
Se John McCain, Barack Obama e Ali Khamenei fazem declarações a favor dos mesmos manifestantes, alguém não está entendendo direito o que está acontecendo. A esperança é que seja o Aiatolá, por uma boa razão: um dos elementos da rebelião é sem dúvida a luta contra tiranias; nisso se parece com a revolução verde que pôs tantos iranianos na rua de Teerã, em 2009, e que produziu uma avassaladora repressão. As cenas dos jovens iranianos na rua - e até da morte da jovem Neda - foram imediatamente postadas pelas redes sociais. Esse é outro fenômeno inteiramente novo do qual se sabe pouco. Duas coisas já podem ser ditas sobre as novas tecnologias de comunicação: elas não criam explosões sociais, mas aumentam a velocidade do fenômeno do contágio; elas são a forma de contornar a censura imposta pelas ditaduras mas podem ser usadas para disseminar mensagens falsas que interessam ao poder tirânico. Mostraram o que Mubarak não queria que fosse visto; mas o governo de Mubarack obrigou empresas ocidentais a divulgaram mensagens de apoio a ele.
Num mundo já complicado, há outra peça do xadrez. O preço da alimentação que consome 40% do orçamento da classe média egípcia e deixa desamparada a vasta pobreza do país pode subir ainda mais por causa dos fenômenos climáticos extremos e constantes em vários países produtores.
O governo que sucederá Hosni Mubarak terá uma pesada herança. O imenso estrago da economia é só um dos elementos. O custo do governo é outro. O país tem sete milhões de funcionários públicos, destes, as Forças Armadas e policiais são exorbitantes três milhões. O Egito não sobrevive sem o cheque americano de US$1,5 bilhão por ano.
O GLOBO
O Egito magnetiza o mundo porque é um dos mais complexos fatos contemporâneos. Não há uma única explicação simples. Tudo é espantosamente complicado quando se tenta entender causas e consequências. Eventos que aparentemente não estão ligados misturam-se elevando o grau de tensão e incerteza: desemprego de jovens, revolução da comunicação, luta contra tiranias, preço de alimentos.
A imprevisibilidade tem estado presente desde o início dos fatos. Quando um rapaz vendedor de verduras ateou fogo ao corpo na Tunísia, ninguém imaginaria que isso acabaria provocando a queda de um ditador que estava no poder há 23 anos. No entanto, hoje Ben Ali está refugiado na Arábia Saudita. A Jordânia fez reformas no governo. O Iêmen avisou que haverá alternância no poder em 2013. A Argélia avisou que o estado de emergência que vigorou por 19 anos será suspenso. O Egito está vivendo dias dramáticos. O governo americano teve que mudar suas posições e fazer pronunciamentos que seriam impensáveis tempos atrás contra o que era apresentado como: "confiável aliado" e um "governo estável." Todos olham para outros países pensando quem mais poderá ser atingido pela verdadeira tempestade no deserto: Síria, Líbia e até, quem sabe, a Arábia Saudita.
O que o jovem Mohammed Bouazizi da Tunísia tinha que provocou um efeito dominó do qual ainda não se sabe o final? Tinha sonhos não realizados. Ele estudou, fez universidade, achou que iria além dos seus pais. Mas, desempregado, decidiu ter uma banca de verduras na qual era achacado por policiais corruptos. Um dia, os policiais tomaram a sua barraca. A frustração e a raiva foram além do que ele podia suportar. Depois de se imolar, ele ainda sofreu por 23 dias no hospital antes de morrer.
Jovens com sonhos não realizados, prisioneiros de situações tirânicas - das pequenas ou grandes autoridades - e que se sentem num beco sem saída podem habitar qualquer país, em qualquer dos mundos do mundo, em qualquer religião ou cultura. Ele pareceu o retrato no espelho para jovens de vários outros países no Norte da África.
Hoje, o fenômeno do desemprego de jovens é mundial: ocorre em países ricos como Estados Unidos, Espanha. Em países emergentes que crescem. É problema urgente. Numa democracia como o Brasil, deve estar no topo da agenda. As empresas falam em pleno emprego, e o Brasil fechou seu melhor ano com uma taxa média de 14,9% de desemprego entre 18 a 24 anos.
A ditadura de Ben Ali demorou a cair mais do que nos damos conta. O rapaz jogou fogo ao corpo em dezembro, morreu no dia 4 de janeiro, e o presidente fugiu no dia 14. Mas enquanto foi a Tunísia, o Ocidente olhou apenas com curiosidade. Quando a fúria chegou ao Cairo, capital do país que sempre foi considerado uma peça central no xadrez da parte mais complicada do mundo, todos viram.
Foi quando tantos se deram conta da nossa piramidal ignorância sobre os fenômenos do mundo árabe e muçulmano. No primeiro momento, algumas análises apontavam o Egito como a véspera do Irã de 1978, sem ver todas as inúmeras matizes que existem no Oriente. Vários dias de noticiário intenso, de surpresas, e de consultas a quem entende ou acompanha de perto ajudaram a vislumbrar algumas nuances.
A fúria dos manifestantes armados pelo estado policial comandado durante 30 anos por Hosni Mubarak abateu-se com a mesma intensidade sobre a CNN e a Al Jazeera, que se apresenta como "uma visão alternativa", e que, a propósito, não é transmitida nos Estados Unidos, apesar de ser vista pela internet. A TV iraniana em inglês, a PressTV, que se propõe a ser uma alternativa persa no mundo islâmico, também transmitia as mesmas imagens, frequentemente com as mesmas avaliações dos fatos. A diferença era o destaque à interpretação do Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, de que o que está acontecendo da Tunísia ao Egito é o eco das vozes da revolução islâmica iraniana.
Se John McCain, Barack Obama e Ali Khamenei fazem declarações a favor dos mesmos manifestantes, alguém não está entendendo direito o que está acontecendo. A esperança é que seja o Aiatolá, por uma boa razão: um dos elementos da rebelião é sem dúvida a luta contra tiranias; nisso se parece com a revolução verde que pôs tantos iranianos na rua de Teerã, em 2009, e que produziu uma avassaladora repressão. As cenas dos jovens iranianos na rua - e até da morte da jovem Neda - foram imediatamente postadas pelas redes sociais. Esse é outro fenômeno inteiramente novo do qual se sabe pouco. Duas coisas já podem ser ditas sobre as novas tecnologias de comunicação: elas não criam explosões sociais, mas aumentam a velocidade do fenômeno do contágio; elas são a forma de contornar a censura imposta pelas ditaduras mas podem ser usadas para disseminar mensagens falsas que interessam ao poder tirânico. Mostraram o que Mubarak não queria que fosse visto; mas o governo de Mubarack obrigou empresas ocidentais a divulgaram mensagens de apoio a ele.
Num mundo já complicado, há outra peça do xadrez. O preço da alimentação que consome 40% do orçamento da classe média egípcia e deixa desamparada a vasta pobreza do país pode subir ainda mais por causa dos fenômenos climáticos extremos e constantes em vários países produtores.
O governo que sucederá Hosni Mubarak terá uma pesada herança. O imenso estrago da economia é só um dos elementos. O custo do governo é outro. O país tem sete milhões de funcionários públicos, destes, as Forças Armadas e policiais são exorbitantes três milhões. O Egito não sobrevive sem o cheque americano de US$1,5 bilhão por ano.
E agora, como ficar rico?
Carlos Alberto Sardenberg - O Estado de S.Paulo
Considerem a seguinte tese: pode parecer exagerado e, de fato, é surpreendente, mas a América Latina está em condições de ensinar, sobretudo aos países desenvolvidos, como sair da crise e voltar a crescer. Podem reparar, a América Latina já pratica muitas políticas hoje recomendadas na Europa e nos Estados Unidos, como um sistema bancário sólido e regulado (não houve quebradeira na região) e controle das contas públicas, incluindo os orçamentos dos governos estaduais e municipais, mercado de capitais sob vigilância e responsabilidade monetária (ao contrário do que os Estados Unidos fazem, por exemplo, espalhando seus dólares desvalorizados pelo mundo).
Quem anda defendendo essa tese em palcos internacionais? Lula? A presidente Dilma?
Na verdade, ouvi toda a história em uma exposição do presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, na abertura do 3.º Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, promovido na semana passada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. E ele não estava contando vantagem. Apenas tentava explicar porque a América Latina passara bem pela crise e voltara a crescer rapidamente.
Falou também de perspectivas. A América Latina tem uma população jovem, o que significa que está colocando no mercado milhões de consumidores e trabalhadores na formação das "novas classes médias". A região tem energia - incluindo aí carvão e petróleo, com reservas novas descobertas em diversos países. Mas também existem algumas possibilidades amplas na energia limpa ou verde: hidrelétrica, eólica e, sobretudo, biocombustível.
A América Latina tem água e a biodiversidade das florestas (aliás, Santos contou que uma empresa da Califórnia havia lhe mostrado uma novíssima tecnologia para medir e avaliar as riquezas da Floresta Amazônica).
A América Latina é uma grande produtora de minérios e de alimentos, com a possibilidade de expandir mais a oferta.
No campo social, uma boa notícia: a pobreza é uma questão bem encaminhada. Não resolvida, claro, porque há milhões de pobres pela região. Mas, em praticamente todos os países, essas pessoas são atendidas por algum programa de "transferência de renda com condicionalidade", designação técnica de políticas tipo Bolsa-Família.
Foi um avanço notável, observa o diretor do Centro de Desenvolvimento da OCDE, Mario Pezzini. Há dez anos, na virada do século, apenas três países da América Latina tinham programas de transferência de renda: México (pioneiro), Honduras e Brasil. Hoje estão por toda a parte e, mais importante ainda, em geral, funcionando bem.
Pode-se dizer, por aí, que o problema da pobreza extrema está resolvido? Sim, se isso quer dizer que essas pessoas recebem renda mensal e regular suficiente para a manutenção básica. Mas não, se a meta é criar condições para que essas pessoas deixem de ser pobres e vivam por sua própria conta, quer dizer, com seu trabalho ou seus empreendimentos.
E isso nos remete à agenda da América Latina, tal como foi debatido no fórum da OCDE. Como dar o salto definitivo para a prosperidade? Ou, na palavra de Santos, como podemos realizar "a década ou, quem sabe, o século da América Latina?".
A observar: se os leitores acharam que o presidente colombiano descreve muito bem a situação brasileira, verificarão agora que as agendas propostas também caem como uma luva para o Brasil.
Sim, somos muito parecidos.
A prioridade número um é a educação. Mais exatamente: educação pública de qualidade. No geral, as crianças já estão na escola, mas aprendem pouco e mal. Esse é um fator de injustiça social - os ricos vão melhor nas escolas privadas - e de baixa produtividade no trabalho, uma restrição à prosperidade das famílias e do País.
A segunda prioridade está no emprego ou, mais amplamente, nas oportunidades de trabalho. Há muito trabalho informal e, para os empreendedores, os que tocam o próprio negócio, por necessidade ou por escolha, a formalização das empresas é complicada e cara.
Outro risco para as famílias - que podem perder tudo de repente e cair da classe média para a pobreza - e outra restrição ao crescimento.
A terceira é desenvolver e/ou melhorar os sistemas públicos de saúde, incluindo o saneamento básico.
No âmbito da macroeconomia, a questão imediata é como lidar com o boom das commodities (minérios e alimentos), puxado especialmente pela China, numa onda em que todos os principais países da América Latina estão surfando desde o início deste século.
Um dos temas do fórum da OCDE era: comércio de commodities, maldição ou bênção? Esses produtos têm trazido navios de dólares para a América Latina, aos quais se somam os recursos externos que entram para investimentos e aplicação financeira. A região, sempre carente de dólares e com moedas locais desvalorizadas, agora tem sobra de dólares e moedas valorizadas. Como lidar?
(A propósito: não há uma agenda comum da América Latina para lidar com a China nem com os Estados Unidos e o ambiente global. A Colômbia, por exemplo, não está no G-20 e o presidente Santos disse que seu país não se sente representado por Brasil, México ou Argentina, membros do grupo.)
Finalmente, está na agenda de todos a construção de uma infraestrutura - estradas, portos, aeroportos - que permita ganhos de produtividade.
Como fazer? Nossos próximos temas.
JORNALISTA E-MAIL: SARDENBERG@CBN.COM.BR SITE: WWW.SARDENBERG.COM.BR
Considerem a seguinte tese: pode parecer exagerado e, de fato, é surpreendente, mas a América Latina está em condições de ensinar, sobretudo aos países desenvolvidos, como sair da crise e voltar a crescer. Podem reparar, a América Latina já pratica muitas políticas hoje recomendadas na Europa e nos Estados Unidos, como um sistema bancário sólido e regulado (não houve quebradeira na região) e controle das contas públicas, incluindo os orçamentos dos governos estaduais e municipais, mercado de capitais sob vigilância e responsabilidade monetária (ao contrário do que os Estados Unidos fazem, por exemplo, espalhando seus dólares desvalorizados pelo mundo).
Quem anda defendendo essa tese em palcos internacionais? Lula? A presidente Dilma?
Na verdade, ouvi toda a história em uma exposição do presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, na abertura do 3.º Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, promovido na semana passada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. E ele não estava contando vantagem. Apenas tentava explicar porque a América Latina passara bem pela crise e voltara a crescer rapidamente.
Falou também de perspectivas. A América Latina tem uma população jovem, o que significa que está colocando no mercado milhões de consumidores e trabalhadores na formação das "novas classes médias". A região tem energia - incluindo aí carvão e petróleo, com reservas novas descobertas em diversos países. Mas também existem algumas possibilidades amplas na energia limpa ou verde: hidrelétrica, eólica e, sobretudo, biocombustível.
A América Latina tem água e a biodiversidade das florestas (aliás, Santos contou que uma empresa da Califórnia havia lhe mostrado uma novíssima tecnologia para medir e avaliar as riquezas da Floresta Amazônica).
A América Latina é uma grande produtora de minérios e de alimentos, com a possibilidade de expandir mais a oferta.
No campo social, uma boa notícia: a pobreza é uma questão bem encaminhada. Não resolvida, claro, porque há milhões de pobres pela região. Mas, em praticamente todos os países, essas pessoas são atendidas por algum programa de "transferência de renda com condicionalidade", designação técnica de políticas tipo Bolsa-Família.
Foi um avanço notável, observa o diretor do Centro de Desenvolvimento da OCDE, Mario Pezzini. Há dez anos, na virada do século, apenas três países da América Latina tinham programas de transferência de renda: México (pioneiro), Honduras e Brasil. Hoje estão por toda a parte e, mais importante ainda, em geral, funcionando bem.
Pode-se dizer, por aí, que o problema da pobreza extrema está resolvido? Sim, se isso quer dizer que essas pessoas recebem renda mensal e regular suficiente para a manutenção básica. Mas não, se a meta é criar condições para que essas pessoas deixem de ser pobres e vivam por sua própria conta, quer dizer, com seu trabalho ou seus empreendimentos.
E isso nos remete à agenda da América Latina, tal como foi debatido no fórum da OCDE. Como dar o salto definitivo para a prosperidade? Ou, na palavra de Santos, como podemos realizar "a década ou, quem sabe, o século da América Latina?".
A observar: se os leitores acharam que o presidente colombiano descreve muito bem a situação brasileira, verificarão agora que as agendas propostas também caem como uma luva para o Brasil.
Sim, somos muito parecidos.
A prioridade número um é a educação. Mais exatamente: educação pública de qualidade. No geral, as crianças já estão na escola, mas aprendem pouco e mal. Esse é um fator de injustiça social - os ricos vão melhor nas escolas privadas - e de baixa produtividade no trabalho, uma restrição à prosperidade das famílias e do País.
A segunda prioridade está no emprego ou, mais amplamente, nas oportunidades de trabalho. Há muito trabalho informal e, para os empreendedores, os que tocam o próprio negócio, por necessidade ou por escolha, a formalização das empresas é complicada e cara.
Outro risco para as famílias - que podem perder tudo de repente e cair da classe média para a pobreza - e outra restrição ao crescimento.
A terceira é desenvolver e/ou melhorar os sistemas públicos de saúde, incluindo o saneamento básico.
No âmbito da macroeconomia, a questão imediata é como lidar com o boom das commodities (minérios e alimentos), puxado especialmente pela China, numa onda em que todos os principais países da América Latina estão surfando desde o início deste século.
Um dos temas do fórum da OCDE era: comércio de commodities, maldição ou bênção? Esses produtos têm trazido navios de dólares para a América Latina, aos quais se somam os recursos externos que entram para investimentos e aplicação financeira. A região, sempre carente de dólares e com moedas locais desvalorizadas, agora tem sobra de dólares e moedas valorizadas. Como lidar?
(A propósito: não há uma agenda comum da América Latina para lidar com a China nem com os Estados Unidos e o ambiente global. A Colômbia, por exemplo, não está no G-20 e o presidente Santos disse que seu país não se sente representado por Brasil, México ou Argentina, membros do grupo.)
Finalmente, está na agenda de todos a construção de uma infraestrutura - estradas, portos, aeroportos - que permita ganhos de produtividade.
Como fazer? Nossos próximos temas.
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Congresso terá 60 reeleitos envolvidos em escândalos nos últimos dois anos
Congresso terá 60 reeleitos envolvidos em escândalos nos últimos dois anos
Como sempre digo: "Contra biotipo e idiossincrasia não se briga, procura se conviver da melhor forma possível."
Abaixo segue um retrato que se repete, anos a fio, do comportamento ético-democrático do cidadão brasileiro.
Vale conferir o painel montado pelo jornalista no link abaixo.
Congresso terá 60 reeleitos envolvidos em escândalos nos últimos dois anos
Maurício Savarese
UOL Notícias - São Paulo
A posse das novas legislaturas na Câmara dos Deputados e no Senado, marcada para esta terça-feira (1º), renovará os mandatos de menos da metade dos 141 parlamentares citados em escândalos no Congresso nos últimos dois anos. O levantamento do UOL Notícias tem como base o monitor de escândalos, do jornalista Fernando Rodrigues.
Na votação de 2010, havia 88 deputados federais envolvidos em escândalos recentes que se candidataram à reeleição. Desses, 56 foram reconduzidos ao cargo. No Senado, onde apenas um terço das 81 cadeiras foram renovadas, quatro parlamentares afetados por denúncias conseguiram garantir mais oito anos na Casa.
Entre os reeleitos apesar das acusações nos últimos anos estão membros dos dois principais partidos da base de apoio da presidente Dilma Rousseff. Figuram quatro ministros, que deixarão o governo por alguns dias para assumir seus mandatos na Câmara dos Deputados e no Senado. Há também um dos candidatos à presidência da Câmara e líderes da oposição.
O atual presidente do Senado e provável sucessor de si mesmo, José Sarney (PMDB-AP), também figurou em vários escândalos nos últimos anos, mas está excluído do levantamento porque não renovou mandato em 2010. Há outros afetados por denúncias que saíram do Congresso para ocupar outros cargos, inclusive a Vice-Presidência da República.
Farra das passagens aéreas, mau uso de verba pública, nepotismo e o mensalão do Democratas, que apesar de ligado ao governo do Distrito Federal também implicou congressistas, estão entre os principais escândalos políticos de 2009 a 2010. Muitos expoentes desses casos, como Edmar Moreira (PR-MG), o “deputado do castelo”, não se reelegeram.
Reconduzidos apesar de escândalos
Pelo PT, partido com mais membros na Câmara, renovam seus mandatos nessa condição o ex-presidente da legenda Ricardo Berzoini e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, ambos de São Paulo. Pelo PMDB, voltarão aos gabinetes o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do partido na Câmara, e Renan Calheiros (AL), ex-presidente do Senado.
O deputado Sandro Mabel (PR-GO), azarão na disputa com Marco Maia (PT-RS) pela presidência da Câmara, também se reelegeu. O mesmo aconteceu com oposicionistas proeminentes, como o presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), e o ex-líder da legenda na Câmara, Paulo Bornhausen (SC).
Quatro ministros que se envolveram com escândalos na última legislatura voltarão ao Congresso por alguns dias, onde tomarão posse e deixarão um suplente. São eles os ocupantes das pastas das Cidades, deputado Mario Negromonte (PP-BA), Turismo, deputado Pedro Novais (PMDB-MA), Previdência, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), e Minas e Energia, senador Edison Lobão (PMDB-MA).
Também estarão na Câmara nesta terça-feira para renovar seus mandatos os deputados Fábio Faria (PMN-RN), famoso por ter usado sua cota de passagens aéreas para transportar celebridades, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tem a alta influência na Casa ameaçada pela falta de concessões pelo governo de Dilma.
Partidos e Estados
O PMDB, do vice-presidente Michel Temer, é o partido que mais reelegeu congressistas envolvidos em escândalos entre 2009 e 2010. Foram ao todo 15 deputados federais, incluindo o agora ex-senador Almeida Lima (AL), e três senadores. O segundo lugar é do PP, que manteve os mandatos de sete deputados federais afetados por denúncias.
O governista PR reconduziu ao cargo um senador e seis deputados que, de acordo com o monitor de escândalos, foram afetados por denúncias nos últimos dois anos. O PT, sigla da presidente da República, aparece logo em seguida, no quarto lugar, com seis deputados federais reeleitos apesar do envolvimento em escândalos.
Também aparecem na lista, reelegendo apenas deputados federais nessa situação: DEM (5), PSDB (3), PSB (3), PTB (3), PDT (3), PPS (2), PMN (1), PRB (1), PV (1) e PSC (1). Há ainda a mudança no status do presidente tucano, Sérgio Guerra, que deixa o Senado para engrossar as fileiras do partido na Câmara.
São Paulo, o Estado mais populoso do Brasil e que tem a maior bancada na Câmara, reelegeu oito deputados envolvidos em denúncias. O segundo nesse quesito, Minas Gerais, fez o mesmo com sete parlamentares.
A Bahia aparece na terceira posição, com cinco integrantes nessa situação. O Maranhão reconduziu quatro deputados e um senador. Goiás e Paraná reelegeram quatro deputados federais cada.
Também reelegeram deputados afetados por denúncias os seguintes Estados: Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pará (três cada), Pernambuco, Ceará, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Paraíba, Sergipe, Amapá, Tocantins e Acre (um).
Os Estados que reelegeram senadores envolvidos em escândalos são Alagoas, Espírito Santo, Maranhão e Rio Grande do Norte.
Como sempre digo: "Contra biotipo e idiossincrasia não se briga, procura se conviver da melhor forma possível."
Abaixo segue um retrato que se repete, anos a fio, do comportamento ético-democrático do cidadão brasileiro.
Vale conferir o painel montado pelo jornalista no link abaixo.
Congresso terá 60 reeleitos envolvidos em escândalos nos últimos dois anos
Maurício Savarese
UOL Notícias - São Paulo
A posse das novas legislaturas na Câmara dos Deputados e no Senado, marcada para esta terça-feira (1º), renovará os mandatos de menos da metade dos 141 parlamentares citados em escândalos no Congresso nos últimos dois anos. O levantamento do UOL Notícias tem como base o monitor de escândalos, do jornalista Fernando Rodrigues.
Na votação de 2010, havia 88 deputados federais envolvidos em escândalos recentes que se candidataram à reeleição. Desses, 56 foram reconduzidos ao cargo. No Senado, onde apenas um terço das 81 cadeiras foram renovadas, quatro parlamentares afetados por denúncias conseguiram garantir mais oito anos na Casa.
Entre os reeleitos apesar das acusações nos últimos anos estão membros dos dois principais partidos da base de apoio da presidente Dilma Rousseff. Figuram quatro ministros, que deixarão o governo por alguns dias para assumir seus mandatos na Câmara dos Deputados e no Senado. Há também um dos candidatos à presidência da Câmara e líderes da oposição.
O atual presidente do Senado e provável sucessor de si mesmo, José Sarney (PMDB-AP), também figurou em vários escândalos nos últimos anos, mas está excluído do levantamento porque não renovou mandato em 2010. Há outros afetados por denúncias que saíram do Congresso para ocupar outros cargos, inclusive a Vice-Presidência da República.
Farra das passagens aéreas, mau uso de verba pública, nepotismo e o mensalão do Democratas, que apesar de ligado ao governo do Distrito Federal também implicou congressistas, estão entre os principais escândalos políticos de 2009 a 2010. Muitos expoentes desses casos, como Edmar Moreira (PR-MG), o “deputado do castelo”, não se reelegeram.
Reconduzidos apesar de escândalos
Pelo PT, partido com mais membros na Câmara, renovam seus mandatos nessa condição o ex-presidente da legenda Ricardo Berzoini e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, ambos de São Paulo. Pelo PMDB, voltarão aos gabinetes o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do partido na Câmara, e Renan Calheiros (AL), ex-presidente do Senado.
O deputado Sandro Mabel (PR-GO), azarão na disputa com Marco Maia (PT-RS) pela presidência da Câmara, também se reelegeu. O mesmo aconteceu com oposicionistas proeminentes, como o presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), e o ex-líder da legenda na Câmara, Paulo Bornhausen (SC).
Quatro ministros que se envolveram com escândalos na última legislatura voltarão ao Congresso por alguns dias, onde tomarão posse e deixarão um suplente. São eles os ocupantes das pastas das Cidades, deputado Mario Negromonte (PP-BA), Turismo, deputado Pedro Novais (PMDB-MA), Previdência, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), e Minas e Energia, senador Edison Lobão (PMDB-MA).
Também estarão na Câmara nesta terça-feira para renovar seus mandatos os deputados Fábio Faria (PMN-RN), famoso por ter usado sua cota de passagens aéreas para transportar celebridades, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tem a alta influência na Casa ameaçada pela falta de concessões pelo governo de Dilma.
Partidos e Estados
O PMDB, do vice-presidente Michel Temer, é o partido que mais reelegeu congressistas envolvidos em escândalos entre 2009 e 2010. Foram ao todo 15 deputados federais, incluindo o agora ex-senador Almeida Lima (AL), e três senadores. O segundo lugar é do PP, que manteve os mandatos de sete deputados federais afetados por denúncias.
O governista PR reconduziu ao cargo um senador e seis deputados que, de acordo com o monitor de escândalos, foram afetados por denúncias nos últimos dois anos. O PT, sigla da presidente da República, aparece logo em seguida, no quarto lugar, com seis deputados federais reeleitos apesar do envolvimento em escândalos.
Também aparecem na lista, reelegendo apenas deputados federais nessa situação: DEM (5), PSDB (3), PSB (3), PTB (3), PDT (3), PPS (2), PMN (1), PRB (1), PV (1) e PSC (1). Há ainda a mudança no status do presidente tucano, Sérgio Guerra, que deixa o Senado para engrossar as fileiras do partido na Câmara.
São Paulo, o Estado mais populoso do Brasil e que tem a maior bancada na Câmara, reelegeu oito deputados envolvidos em denúncias. O segundo nesse quesito, Minas Gerais, fez o mesmo com sete parlamentares.
A Bahia aparece na terceira posição, com cinco integrantes nessa situação. O Maranhão reconduziu quatro deputados e um senador. Goiás e Paraná reelegeram quatro deputados federais cada.
Também reelegeram deputados afetados por denúncias os seguintes Estados: Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pará (três cada), Pernambuco, Ceará, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Paraíba, Sergipe, Amapá, Tocantins e Acre (um).
Os Estados que reelegeram senadores envolvidos em escândalos são Alagoas, Espírito Santo, Maranhão e Rio Grande do Norte.
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